
Aliados do presidente Lula (PT) pressionam para que ele participe do debate da TV Globo marcado para 1º de outubro, diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas para a Presidência. O petista ainda resiste à ideia, apesar dos apelos de integrantes do governo e de sua campanha, segundo o jornal O Globo.
O presidente e Flávio faltaram ao debate promovido pela Band em agosto. Caso o candidato do PL não compareça ao encontro da Globo, aliados de Lula avaliam que o petista poderá explorá-lo como “fujão” diante do eleitorado.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defende a presença de Lula e vê no debate uma chance de confronto direto com o adversário. “Se depender de mim, ele vai, tem que nocautear ele no debate”, disse o ministro.
Guimarães afirmou que a campanha precisa confrontar a imagem construída por Flávio Bolsonaro. “Nosso objetivo é destruir a imagem de um candidato que está passando a imagem de bom moço e não tem nada de bom moço”, declarou.

Pesquisas e receios na campanha de Lula
Pesquisa Quaest divulgada na segunda (21) apontou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 33%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que configura empate técnico.
No cenário de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 41% de Lula. O avanço do senador nas pesquisas fortaleceu o argumento dos aliados que querem o presidente no debate de televisão aberta.
Lula teme se tornar o principal alvo dos demais concorrentes por ser o único nome da esquerda na disputa. O comportamento do candidato do Missão, Renan Santos, também preocupa integrantes da campanha presidencial.
Pela legislação eleitoral, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) têm participação assegurada no debate. A Globo ainda pode convidar Renan Santos e Romeu Zema (Novo), conforme os resultados das pesquisas.
Outro fator que pesa contra a ida de Lula é o tempo de preparação exigido antes do encontro, que reduziria a agenda de comícios na reta final. O presidente prevê viagens a Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Amazonas e Pará antes do primeiro turno.