Por Vítor Peruch
Da Página do MST
O Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo, recebeu na noite desta terça-feira (22/09) uma Plenária Nacional de Mobilização que reuniu movimentos populares, centrais sindicais, juventudes, mulheres, artistas e lideranças religiosas em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O ato marcou a reta final da campanha rumo ao primeiro turno e abriu a programação com o tradicional esquenta cultural, animando o público antes do início das falas.
Subiram ao palco representantes de Força Sindical (João Carlos Gonçalves), CUT (Renato Zulato), Intersindical (Nilza Almeida), CTB (Adilson Araújo), CSB (Antônio Neto), APEOESP (professora Bebel), Direitos Já (Fernando Guimarães), ABJD (Nei Strozake), MMM (Maria Fernanda), Levante Popular da Juventude (Camila Moraes), CMP (Miriam Hermógenes), MAB (Liciane), UNMP (Sidnei Pitta), MNU (Maria Luiza Nogueira), Sem Direitos (Luciana Mendonça), VAT (Armando Martins), MBP (Thaynara Floriano), Prerrogativas (Marco Aurélio), além das presidentas do PCdoB, Nádia Campeão, do PSOL, Paula Coradi, e da UBES, Yasmin Souza.
João Pedro Stédile, da direção nacional do MST, e representando a Frente Brasil Popular, abriu as falas convocando a militância para a reta final: “o povo quer ser ouvido, e agora é tempo de arregaçar as mangas e bater de casa em casa — não é tempo de distribuir santinhos, mas de debater ideias”. Stédile apontou as mulheres da periferia como o público decisivo do pleito e chamou o dia 27 de “dia de inundar as ruas de vermelho”.
Na sequência, Ana Paula Perles, do MTST e da Frente Povo Sem Medo, resumiu o método da reta final em “pé na rua e celular na mão”, defendendo a disputa simultânea nas ruas e nas redes sociais.

Adilson Araújo, presidente da CTB, discursou sob o pano de fundo de Lula da Vila Euclides, e definiu o momento como “uma encruzilhada histórica”, contrapondo o que chamou de “projeto entreguista de milicianos” ao projeto de Lula.
Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha de reeleição, chamou Fernando Haddad de “o melhor quadro que podemos oferecer para o estado de São Paulo” e resumiu a disputa em torno da política externa: “o Brasil do presidente Lula representa a soberania, o avanço e a modernização dos empregos — representa um país que não será quintal de nenhum outro país”.
Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, defendeu a manutenção de “um estado permanente de campanha” e cobrou resposta para a violência contra a mulher no estado: “as 270 mães que perderam suas filhas no último ano sabem que o problema não foi resolvido — eles tiveram a oportunidade de fazer algo e não fizeram, façamos nós”.
Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, teve um vídeo-clipe de campanha exibido antes de seu discurso, no qual citou o salto de 5 milhões para 25 milhões de trabalhadores brasileiros com diploma universitário desde 2002 e classificou a extrema direita como “uma patologia” que “vai se consumir, porque é destrutiva”. Haddad contrapôs o histórico de Flávio Bolsonaro à tradição da militância presente no ato: “a nossa tradição é ir pra rua com honra, ética, causa e bandeira — coisa que eles não têm”.

Encerrando as falas, o presidente do Brasil em exercício, Geraldo Alckmin, destacou a força da sociedade civil organizada e números da política externa e social do governo, como o crescimento de 36% das exportações brasileiras para a União Europeia mesmo diante das tarifas de Trump. Alckmin defendeu o respeito ao processo eleitoral — “quem não acredita na democracia, no julgamento popular, na força do voto do povo, nem deveria disputar eleições” — e disse sentir “nas ruas a energia da virada subindo”.
O recado que fica é de um estado permanente de campanha, nas ruas e nas redes, para eleger Lula presidente, Haddad governador, e Marina Silva e Simone Tebet senadoras — na construção de um projeto de país.
Editado por Aline Antunes