
A Polícia Militar de São Paulo apura a suspeita de que os três sobreviventes da queda de um helicóptero em Iaras, no interior paulista, tenham ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os homens pediram socorro à corporação depois do acidente e seguiram para atendimento médico em Avaré, cidade vizinha.
Fontes policiais informaram que um dos sobreviventes apresentou uma identidade falsa aos agentes que atuaram no resgate, em uma área de difícil acesso. A PM fez consultas no sistema Muralha Paulista e encontrou registros que podem relacioná-lo a crimes de tráfico de drogas e cárcere privado.
A corporação também investiga a possível ligação desse homem com outro suspeito apontado como integrante do PCC no Guarujá, no litoral de São Paulo. Esse segundo homem teria antecedentes por tráfico, cárcere privado e resgate de presos.
Um exame datiloscópico deve confirmar a identidade do sobrevivente que teria mentido aos policiais. A PM ainda verifica as informações sobre os três ocupantes da aeronave antes de tratá-las como definitivas.
Histórico do piloto também entrou na investigação
O piloto identificado como José Tadeu dos Santos teria servido na Aeronáutica e já cumpriu cerca de 15 anos de prisão por transporte de drogas do Paraguai ao Brasil. A investigação também apura se ele possuía licença válida para pilotar, pois as informações iniciais indicavam a ausência de autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em 2012, José Tadeu foi preso com 200 quilos de cocaína em uma aeronave. Na mesma ocorrência, a polícia deteve Felipe Ramos, conhecido como Felipó, nome citado posteriormente nas investigações sobre as mortes de Gegê do Mangue e Paca, duas lideranças do PCC.

Gegê e Paca foram assassinados em 15 de fevereiro de 2018, em uma clareira dentro de uma reserva indígena em Aquiraz, na Grande Fortaleza. Eles tinham viajado de helicóptero e, conforme o Ministério Público de São Paulo, a facção os acusava de desviar dinheiro do grupo criminoso.
Policiais da Força Tática do 53º BPM/I, da Aviação da PM e do Corpo de Bombeiros participaram do resgate em Iaras. O Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) isolou o local para realizar a perícia e apurar as causas da queda.