
Aliados de Milton Leite, presidente do União Brasil em São Paulo, afirmam que ele buscou organizar a estrutura eleitoral do partido antes de se entregar à Polícia Civil, na tarde de 18 de setembro, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana. O ex-vereador ficou mais de 24 horas procurado após a Justiça expedir um mandado de prisão contra ele.
A ordem de prisão integra uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano. A Polícia Civil decretou prisões temporárias de 16 investigados e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na investigação.
Na manhã de 17 de setembro, logo após a operação, Leite negou que estivesse foragido. “Eu não cometi crime e nada devo”, disse, afirmando que estava no interior para compromissos da campanha de um de seus filhos.
Pessoas próximas ao dirigente partidário disseram não saber onde ele estava enquanto a polícia o procurava. Nos bastidores do União Brasil, aliados relataram que Leite deixou orientações a filhos e assessores para reduzir os efeitos de sua prisão sobre as candidaturas da legenda.
Filhos de Milton Leite receberam R$ 3,7 milhões do Fundo Eleitoral
Alexandre Leite, então deputado federal, disputava uma vaga de deputado estadual. Já Milton Leite Filho, conhecido como Miltinho e então deputado estadual, tentava se eleger deputado federal, numa troca das cadeiras ocupadas pelos dois.
Os irmãos receberam juntos quase R$ 3,7 milhões do Fundo Eleitoral do União Brasil para a campanha. A coordenação das candidaturas e as decisões partidárias durante o período eleitoral se concentravam em Milton Leite, segundo correligionários.
Alexandre cancelou compromissos eleitorais na manhã de 17 de setembro e seguiu para o comitê do partido na capital paulista, onde atendeu candidatos da chapa. Um assessor afirmou que a iniciativa buscava manter os compromissos assumidos por Milton Leite e evitar a desmobilização dos postulantes. “Era reta final, eu sei que o Milton receberia muita gente essa semana”, disse.
Durante as buscas pelo ex-vereador, a Polícia Civil encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil na casa de um assessor ligado a ele, valor equivalente a cerca de R$ 737 mil. A prisão temporária tem duração de 30 dias e terminaria após o primeiro turno da eleição.
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