O presidente Lula esteve, nesta sexta-feira (18), em agenda de campanha em Guarulhos (SP). No ato, explicou por que a regulamentação, ou até mesmo a restrição completa, das bets e das plataformas de apostas online é necessária ao país.
Na avaliação feita, essas plataformas de apostas têm endividado as famílias brasileiras a ponto de se tornar um problema de saúde pública. Na próxima quarta-feira (23), o governo federal pretende publicar uma Medida Provisória (MP) para colocar ordem nesse setor, trazendo regras mais duras para as bets e restrições para modelos de cassino online, como o chamado “Tigrinho”.
Em seu discurso, o presidente demonstrou que deve seguir em frente com a proposta mesmo com a posição contrária de diversos clubes do futebol brasileiro, que se uniram em nota conjunta contra uma possível MP, sob alegação de que o mercado de apostas se tornou o principal financiador do esporte.
Conforme afirmou Lula, esse alarmismo de que a restrição às bets colocará fim ao futebol é uma balela. Ele lembrou que as principais conquistas dos clubes aconteceram sem as bets, destacando que São Paulo, Santos, Flamengo, Corinthians, Grêmio e Internacional foram campeões mundiais sem a existência delas, bem como a seleção brasileira.
“Os times disseram que se eu acabar com as bets, vou acabar com o futebol. O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e não tinha bets. Foi campeão em 1962 e não tinha bets. Foi campeão em 1970, 1994, 2002 e não tinha bets. Depois apareceram as bets e não ganhou mais nada. Então esse negócio que acabar com as bets vai acabar com o futebol, é uma balela”, afirmou.
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O líder nacional disse que tem ouvido especialistas da área, inclusive de saúde pública, e colhido relato de famílias destruídas pelo vício, com casos de endividamento, suicídio e envolvimento com drogas.
“O jogo está dentro da cozinha, na nossa cama, no nosso banheiro, dentro do celular e a gente joga de forma desesperada. A pessoa vai jogando de forma compulsiva, pensando que vai ganhar e só perde”, alertou sobre o vício.
Em uma posição enfática, declarou: “Eu quero que vocês saibam: se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com a bet neste país”.

Como elucidou para os presentes no ato, o vício em apostas se chama ludopatia e as pessoas têm confundido as apostas com entretenimento, como se fosse apenas um jogo de celular. No entanto, quando as pessoas se dão conta da realidade, têm que se desfazer de bens para pagar dívidas, ou deixando de comprar alimentos e bens de consumo para sustentar as perdas com as apostas.
“Esta jogatina na internet não é jogo de aposta, é um vício, é uma doença chamada ludopatia”, reforçou.
Ainda de acordo com o presidente, eventuais perdas de arrecadação são irrelevantes perto dos benefícios que regulamentar o setor trará. Além disso, o crime organizado se infiltrou nessas casas de apostas online, portanto, é fundamental agir contra irregularidades.
“O governo não está preocupado se vai perder imposto, o que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando […] A gente vai acabar com as bets e vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira”, definiu.
Nas redes sociais, a campanha de Lula apresentou relatos de pessoas que tiveram a vida destruída pelas bets:
O ato em Guarulhos contou com a presença de apoiadores do presidente e dos candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT); ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB); além do candidato a vice-presidente e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB).