Elo com Master amplia pressão sobre André Mendonça no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, pediu nesta terça-feira (15) que sejam investigadas possíveis conexões entre o Banco Master, o Instituto Iter — ligado ao ministro André Mendonça — e contratos com o poder público em São Paulo. O caso amplia o desgaste provocado pelas revelações sobre o Master e atinge um dos ministros indicados ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dino encaminhou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que o plenário avalie uma eventual abertura de investigação. O ministro ressalta que os fatos reunidos até agora não comprovam irregularidade ou favorecimento, mas considera que a sequência dos acontecimentos precisa de esclarecimentos. As informações são do g1.

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No centro da apuração está um encontro entre Mendonça e o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo.

O encontro chama atenção porque ocorreu durante a tramitação de um processo sobre concessões de serviços funerários e cemitérios na capital paulista. Um dia antes, Dino havia mantido limites para os preços cobrados pelas concessionárias. Depois, Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento. Ao devolver o caso, votou contra a manutenção da decisão de Dino.

Também aparece no caso a empresa Cortel, que administra cemitérios municipais em São Paulo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuou como conselheiro da companhia entre 2022 e 2025 e teria utilizado e-mails institucionais do Banco Master para assinar documentos da empresa.

Outro ponto citado por Dino é a atuação de Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro, na SP Regula, agência responsável pela fiscalização de serviços públicos municipais. Ele atua justamente na área funerária e cemiterial e foi promovido neste ano a secretário-executivo do órgão.

Instituto também tem contratos públicos

A decisão menciona ainda contratos do Instituto Iter com o poder público. Segundo Dino, a entidade passou a prestar serviços para o município de São Paulo e teria firmado, sem licitação, um contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada ao governo paulista.

Para Dino, a combinação entre o encontro com Vorcaro, os interesses ligados ao Master, a atuação da Cortel, os contratos do Iter e a presença do irmão de Mendonça na agência reguladora forma um conjunto que deve ser apurado.

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“Isso não significa afirmar que exista relação causal entre tais circunstâncias, tampouco que os atos jurisdicionais praticados tenham sido determinados por interesses externos ao processo”, escreveu o ministro. Ainda segundo o ministro, “a multiplicidade, a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato” justificam a apuração.

Mendonça afirma que não discutiu assuntos relacionados ao Banco Master com Vorcaro. Seu gabinete disse que ele apenas ouviu o banqueiro. Áudios encontrados no celular de Vorcaro, porém, indicam que interlocutores pretendiam apresentar a Mendonça a situação enfrentada pelo banco junto ao Banco Central.

O episódio acrescenta um novo foco de pressão sobre Mendonça, nomeado ao STF por Jair Bolsonaro, e amplia o desgaste da direita em torno do caso Master. A eventual abertura de investigação dependerá de decisão do plenário do Supremo.

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com agências

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