A centro-esquerda, com 49,5% dos votos, venceu as eleições parlamentares realizadas neste domingo (13) na Suécia, segundo o resultado preliminar. O bloco liderado pela social-democrata Magdalena Andersson conquistou 176 das 349 cadeiras do Parlamento, contra 173 da aliança governista de direita, que recebeu 49,1%.
A vantagem de três deputados supera por apenas uma cadeira o número necessário para formar maioria. A apuração ainda não terminou: votos antecipados e enviados do exterior serão contabilizados até quarta-feira (16), quando o resultado poderá ser confirmado.
“Se esse resultado permanecer válido, a Suécia terá um novo governo”, afirmou Andersson diante de apoiadores. Ex-primeira-ministra, ela comandou o país entre novembro de 2021 e outubro de 2022.
A centro-esquerda reúne o Partido Social-Democrata, que recebeu 28,1% dos votos; o Partido de Esquerda, com 8,1%; o Partido do Centro, com 6,7%; e o Partido Verde, com 6,6%.
A aliança de direita é formada pelo Partido Moderado, que obteve 19,9%; pelos Democratas Suecos, com 17,6%; pelos Democratas Cristãos, com 6,6%; e pelo Partido Liberal, com 5%. Cerca de 29 mil votos separavam os dois campos na manhã desta segunda-feira (14).
Crescimento da Esquerda:
- Partido Social-Democrata: 28,1% (30,3% em 2022);
- Partido Moderado: 19,9% (19,1%);
- Democratas Suecos: 17,6% (20,5%);
- Partido de Esquerda: 8,1% (6,8%);
- Partido do Centro: 6,7% (6,7%);
- Partido Verde: 6,6% (5,1%);
- Democratas Cristãos: 6,6% (5,3%);
- Partido Liberal: 5% (4,6%).
Embora os social-democratas tenham permanecido como a maior força política do país, o partido perdeu votos em relação à eleição anterior. A vitória do bloco foi sustentada pelo crescimento do Partido de Esquerda e do Partido Verde.
O resultado também representou um revés para os Democratas Suecos. A legenda de extrema direita caiu de 20,5% para 17,6%, perdeu a condição de segunda maior força do país e deverá ter 11 cadeiras a menos.
Foi o primeiro recuo eleitoral do partido desde sua entrada no Parlamento, em 2010.
Com raízes em organizações neonazistas e supremacistas brancas, os Democratas Suecos deram sustentação parlamentar ao governo do conservador Ulf Kristersson desde 2022. Durante a campanha, o partido reivindicou participação direta em um novo governo de direita, com direito a ministérios.
Kristersson incorporou parte da agenda anti-imigração da extrema direita e aplicou medidas como o fim da residência permanente para refugiados, restrições a benefícios sociais e ampliação das expulsões. O número de pedidos de asilo caiu ao menor nível em quatro décadas.
Andersson prometeu ampliar os investimentos no Estado de bem-estar social, adotar um sistema tributário mais justo e enfrentar a crise nos serviços públicos. “Quero fazer a economia avançar, colocar mais dinheiro no bolso das pessoas comuns e acabar com a crise na educação e na saúde”, declarou.
A formação do próximo governo, porém, ainda dependerá de negociações. O Partido do Centro rejeita integrar um gabinete ao lado do Partido de Esquerda, embora Andersson precise do apoio de ambos para assegurar a maioria parlamentar.
Integrante do ABBA adapta “Mamma Mia” em apoio a Magdalena Andersson
Benny Andersson, integrante do ABBA — grupo considerado um patrimônio cultural da Suécia — apareceu de surpresa na sede do Partido Social-Democrata, em Estocolmo, no dia da votação. Ao piano, o compositor adaptou “Mamma Mia”, um dos maiores sucessos da banda, em apoio a Magdalena Andersson.
“Pensei: por que não vir tocar para Magdalena?”, afirmou o músico, de 79 anos.
Formado em Estocolmo nos anos 1970, o ABBA tornou-se um dos maiores símbolos culturais da Suécia e um dos grupos mais populares da história da música. Benny Andersson já havia manifestado posições políticas progressistas e apoiado iniciativas ligadas aos social-democratas.