“Está piorando”: a preocupação de aliados de Vorcaro com saída de Toffoli de inquérito

Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal. Foto: Reprodução

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que integrantes de um grupo investigado por atuar sob ordens de Daniel Vorcaro, do Banco Master, reagiram com preocupação à saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em conversa de 27 de fevereiro, Bruno Correa Lopes escreveu a Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo: “Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli”.

A PF aponta Bruno como responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro. Manolo também é investigado na operação Compliance Zero, e os dois discutiram documentos e transações imobiliárias enquanto as apurações avançavam.

No diálogo, Bruno afirmou que a família estaria vendendo bens com grande desconto por receio de perdê-los. “Venderam uma casa aqui por 20 milhões, uma casa de 40 [milhões], vão vender por 20 [milhões]”, disse, acrescentando que haveria uma corrida para obter dinheiro antes de eventuais medidas contra o patrimônio.

Bruno também cobrou Manolo pelo envio de documentos e alertou que “o tempo está correndo”. Em seguida, compartilhou uma reportagem sobre o avanço da CPMI do INSS e relacionou o cenário à mudança na relatoria do processo que envolvia o Banco Master.

PF atribui ao grupo intimidações e busca por dados sigilosos

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Ton Molina/STF

Segundo a investigação, o grupo chamado de “A Turma” recebia pagamentos para intimidar pessoas, comprar servidores públicos e invadir sistemas oficiais em busca de informações reservadas. A PF identificou Felipe Mourão, conhecido como Sicário, entre os integrantes; ele morreu após ser detido pela corporação em 6 de março.

A troca de relatoria ocorreu em 12 de fevereiro, poucos dias antes da nova prisão de Vorcaro, em 4 de março. O STF levantou o sigilo de diversas peças do caso na sexta-feira (11), incluindo o material de mensagens analisado pela Polícia Federal.

Toffoli deixou a relatoria depois da divulgação de suas ligações com o empreendimento do resort Tayayá. A Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, tinha participação no negócio.

As conversas também tratam de negociações de terrenos ligadas a Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. Em áudio enviado em dezembro de 2025, Bruno acusou Henrique de vender imóveis ao filho por valores superfaturados; Manolo encaminhou o conteúdo a Sicário, que chamou Bruno de “doente e mentiroso”.

No início de março, após as prisões de Daniel Vorcaro e Sicário, Bruno disse ter “informação segura” de que Henrique seria “o próximo” e afirmou: “Temos pouco tempo, muito pouco”. Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio.

Outro conjunto de mensagens analisado pela PF indica que “A Turma” planejava até férias no fim do ano. O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder do grupo, pediu em áudio uma decisão sobre demandas pendentes porque os integrantes sairiam de férias.

A PF afirma que o grupo tinha seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil mensais. A investigação sustenta que empresas ligadas ao grupo de Vorcaro financiavam os pagamentos, repassados por intermédio de uma empresa de Mourão.

Artigo Anterior

Artur Henrique, um companheiro da luta pela unidade popular

Próximo Artigo

Esquerda vence eleição na Suécia e extrema direita perde força

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!