
No último domingo (13), o “Fantástico” apresentou uma matéria especial sobre as investigações ligadas ao filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro. Na longa reportagem, a equipe da Globo aponta as suspeitas de desvios de emendas parlamentares do deputado Mário Frias (PL-SP) e dos repasses feitos pela Prefeitura de São Paulo às empresas de Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up.
No entanto, a revista eletrônica da emissora ignorou alguns pontos importantes do financiamento suspeito do filme: a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o envio de mais de R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, aos produtores.
O suposto esquecimento do “Fantástico” não passou despercebido nas redes sociais. Usuários apontaram mais uma estratégia da Globo para beneficiar os candidatos da extrema-direita, uma vez que o mesmo canal repercutiu, exaustivamente, as frágeis denúncias contra Fábio Luis, filho do presidente Lula (PT), a quem se refere como “Lulinha” para desgastar a imagem do atual governo.
Peraí que só tô vendo agora, mas o quão fantástico seria produzir reportagem de mais de 6 minutos sobre a roubalheira do filme Dark Horse e “esquecer” de citar que o candidato a presidente Flávio Bolsonaro é investigado por isso? Que memória Fantástica! pic.twitter.com/SXwxyvGc5E
— GugaNoblat (@GugaNoblat) September 14, 2026
Na sexta-feira (11), o fim do sigilo do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) revelou que Flávio Bolsonaro é um dos investigados no caso “Dark Horse”, o que daria tempo suficiente para o programa dominical acrescentar na reportagem, caso fosse de interesse do Grupo Globo.
A decisão saiu em julho e se tornou pública após a queda do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master. Na ocasião, a Polícia Federal pediu a instauração do procedimento, que recebeu aval da Procuradoria-Geral da República.
Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro solicitou R$ 131 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para produzir o filme. Planilhas apreendidas pela PF apontam o pagamento de R$ 60 milhões.
No despacho, o ministro André Mendonça autorizou a criação de procedimento investigatório vinculado ao Inquérito 5026. O magistrado, embora alinhado ao bolsonarismo, citou a hipótese de crimes atribuídos, em tese, ao senador no financiamento da produção cinematográfica junto ao Banco Master.