Produtora de “Dark Horse” nega ser “novo Mauro Cid” e relata pressão por delação

Karina Ferreira da Gama
Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável por “Dark Horse”, afirmou que não será um “novo Mauro Cid” e disse não ter informações capazes de incriminar outras pessoas nas investigações sobre o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista à CNN Brasil, ela declarou que sua atuação se limitou à produção do longa e de projetos sociais. Com informações da CNN Brasil.

Karina é alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10), que apura suspeita de desvio de emendas parlamentares. O Supremo Tribunal Federal também conduz duas apurações relacionadas ao filme: uma, sob relatoria do ministro Flávio Dino, trata das emendas; outra, relatada por André Mendonça, investiga repasses atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A produtora negou ter participado da gestão do fundo Havengate, apontado por ela como investidor inicial do projeto. “Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo”, afirmou.

Ela relatou que o orçamento mudou ao longo da preparação das filmagens, após a definição de roteiro, elenco, locações e equipamentos. Karina declarou que a equipe precisou simplificar etapas para finalizar os 40 dias de gravação diante de dificuldades financeiras no fim de 2025 e estimou o gasto em US$ 13,3 milhões.

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Instagram/Jim Caviezel

Produtora nega recursos públicos e relação direta com Vorcaro

Karina afirmou que o filme usou exclusivamente capital privado e rejeitou a hipótese de emprego de emendas parlamentares. “Dark Horse não tem emenda. Não existe emenda para Dark Horse, nenhuma emenda. Nunca foi feito projeto público para o Dark Horse, nunca foi”, disse.

Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça homologou a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, que declarou ter feito sete transferências que somam US$ 12,3 milhões ao Havengate em 2025, por determinação de Vorcaro e após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A homologação não confirma as afirmações do colaborador.

A produtora disse que não recebeu valores diretamente de Vorcaro nem manteve vínculos com empresas ligadas ao banqueiro. “O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro”, declarou, acrescentando que soube pela imprensa sobre a empresa que teria investido no fundo.

Karina afirmou que contratos comerciais da produtora têm cláusulas de confidencialidade, mas disse que pode apresentá-los às autoridades mediante solicitação formal. Ela também relatou ter recebido ofertas de ajuda para uma delação e sustentou que sofre pressão para fornecer uma versão que terceiros “querem ouvir”.

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