Aécio Neves: Senado é estratégico para uma articulação ampla. 

Ex-governador de Minas por dois mandatos – de 2003 a março de 2010 -, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados), explica sua mudança de rota para disputar uma vaga no Senado, em outubro, após inicialmente se programar para concentrar esforços na reconstrução do partido. Ele defende uma atuação articulada em torno da situação financeira de Minas e até a formação de uma bancada dos estados endividados para pressionar o governo federal. Aécio coloca-se como esta via de negociação, apto a dialogar com “qualquer candidato que venha a ser presidente da República” em favor de Minas Gerais. 

Em agosto, o sr. afirmou que havia sido “chamado à responsabilidade”, razão pela qual estava alterando a rota para candidatar-se ao Senado por Minas ao invés de manter a intenção inicial de dedicar-se à reconstrução do PSDB. Quais argumentos o fizeram mudar de ideia? 

Foram tantas pessoas de distintos campos políticos – direita, esquerda, de centro, movimentos sociais, empresários, representantes da Educação – que me procuraram sobre como o Senado pode atuar na questão do endividamento de Minas. Foram apelos. Sou um ser político, com atuação há 40 anos no Legislativo por meio dos cargos que ocupei na Câmara, no Senado e no Executivo, que tenho um sentimento sobre a relevância da política, sobre o que a política pode fazer na vida das pessoas. Negar a política é a própria negação da democracia.  Estas avaliações fizeram com que eu me redirecionasse. 

E por que se candidatar ao Senado e não ao governo de Minas, função que o sr. já desempenhou entre 2003 e 2010?  

Tenho noção do governo histórico que fizemos em Minas Gerais, com os maiores investimentos do estado em infraestrutura, conectando, por terra, 219 cidades. Sei que as pessoas guardam uma memória positiva desta gestão. Ao mesmo tempo, é natural que haja preferências à esquerda, à direita, mais ao centro. Mas vamos votar em dois senadores, e eu estou pronto para dialogar com qualquer um dos candidatos que venha a ser presidente da República. O Senado tornou-se estratégico e quero ser instrumento de uma articulação ampla. 

Que articulação é esta?

Sou fiscalista, defendo o equilíbrio das contas públicas. Entretanto, a renegociação do Propag é urgente. Em cinco anos pode ser que venhamos a pagar R$ 500 milhões mensais em dívidas, o que coloca em risco até o pagamento em dia do salário do funcionalismo. 

Além do pagamento da dívida de MG, você tem outras pautas para o Senado? 

É preciso garantir que as parcelas pagas da dívida sejam revertidas em investimentos para os mineiros. Também é necessária, por meio de articulação política e investimentos, uma reforma na área de segurança pública, melhores condições de trabalho. 

Precisamos formar uma bancada dos estados endividados para negociar com o governo federal; os estados do nordeste fazem isso muito bem, de forma articulada. O presidente da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, me chamaram para um café da manhã onde falamos sobre o fim da escala 6×1, pauta justa e que defendo. 

Como fica a reestruturação do PSDB, projeto ao qual o sr., como presidente nacional do partido, iria conduzir, descartando, a princípio, concorrer nestas eleições de 2026? 

Acho que as atividades são compatíveis e até se ajudam. Acredito que o PSDB vai crescer muito nestas eleições e voltará diferente. Acho que vamos eleger nomes importantes como Ciro Gomes, no Ceará, o Vicentinho (Vicente Alves de Oliveira Júnior, candidato ao governo do Tocantins). Passamos um momento muito difícil: com o Doria no comando, o partido foi lá embaixo. Mas estamos renovando os quadros e acredito que o partido voltará a ter uma relevância fundamental a serviço de Minas. 

Assistimos a um momento especialmente turbulento com esta crise no STF. Qual deve ser o papel do Senado neste cenário?

O Senado será fundamental para garantir a institucionalidade. Qualquer cidadão, do mais simples ou não, ninguém está acima da lei. É preciso prestar contas sem deixar no ar comportamentos questionáveis. Agir com independência. E eu quero estar lá para fazer o que é justo.

Raquel Ayres

Artigo Anterior

JOGO ABERTO

Próximo Artigo

Conexão Empresarial

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!