
O ministro Edson Fachin deu 24 horas para o ministro André Mendonça liberar documentos mantidos sob sigilo no caso Banco Master. A medida ocorre enquanto a Polícia Federal investiga operações em que uma empresa chamada Tirreno teria sido usada para simular a origem de R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados negociados pelo banco de Daniel Vorcaro. Com informações de g1.
A Tirreno surgiu em outubro de 2024 como SX 016 Empreendimentos e Participações S.A., com capital social declarado de R$ 100. Apenas R$ 10 foram efetivamente integralizados pelos dois sócios fundadores, e a empresa não possuía funcionários, movimentação bancária efetiva nem estrutura operacional compatível com negócios bilionários, segundo a perícia.
Em dezembro daquele ano, a companhia adotou o nome Tirreno Consultoria Promotora de Crédito e Participações S.A. e aprovou, no papel, a elevação do capital para R$ 30 milhões. A PF não encontrou evidências de que esse valor tenha entrado na empresa, embora ela já assinasse contratos de cessão de créditos com o Master antes do registro das mudanças societárias na Junta Comercial de São Paulo.
Os 28 contratos firmados entre 24 de dezembro de 2024 e 14 de maio de 2025 somaram R$ 7,155 bilhões. André Felipe de Oliveira Seixas Maia assinou os documentos em nome da companhia, mas só passou a constar formalmente como diretor em abril de 2025; 26 contratos, que reuniam R$ 6,34 bilhões, tiveram firmas reconhecidas em cartório apenas em maio.

PF aponta registros internos e contratos sem documentação
Os contratos previam que o Master pagaria pelas carteiras por transferência bancária para a Tirreno. A perícia, porém, concluiu que os R$ 7,155 bilhões não foram transferidos para a empresa, que sequer tinha conta bancária quando ocorreram as principais cessões. O banco registrava os valores em uma Conta Interna Gerencial, na rubrica “VENDA DE ATIVOS”.
A investigação também afirma que nenhum CDB previsto como garantia das operações foi emitido. A primeira conta corrente da Tirreno só abriu em 23 de maio de 2025, no próprio Banco Master, um dia depois de o banco solicitar informações cadastrais que traziam campos de faturamento, patrimônio líquido, clientes, fornecedores e referências bancárias zerados ou em branco.
O Sistema Função 13 do Master recebeu mais de 1 milhão de contratos atribuídos à Tirreno, ligados a 347.904 CPFs e com carteira bruta futura de R$ 30,08 bilhões. Nenhum desses contratos tinha PDF anexado, enquanto 98% dos demais registros do banco possuíam o arquivo; 74% não tinham código de compensação bancária, ante 1% dos outros contratos.
A PF identificou ainda que funcionários do Master produziram em escala documentos usados para responder às exigências do BRB e da auditoria Deloitte. Em 23 de junho de 2025, Seixas Maia enviou ao BRB um link com 1.785 kits documentais; dias antes, o Comitê Operacional de prevenção à lavagem de dinheiro havia decidido baixar alertas sobre a Tirreno e não comunicar o caso ao Coaf.