
O Madame Underground Club, tradicional casa noturna paulistana conhecida como Madame Satã, divulgou nesta sexta-feira (11) uma nota de esclarecimento após ser citado em reportagens sobre uma festa privada ligada ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações extraídas pela Polícia Federal (PF) dos celulares de Vorcaro. Segundo os registros obtidos na investigação do Caso Master, o banqueiro promovia festas particulares de luxo para autoridades, empresários e outras personalidades. Os diálogos indicam que esses eventos incluíam garotas de programa, bebidas alcoólicas e apresentações de cantores e DJs.
Entre os eventos que aparecem no material está uma festa realizada em São Paulo em outubro de 2023. O encontro, com temática de Halloween, teria ocorrido no Madame, localizado no bairro Bela Vista, região central da capital paulista. Registros daquela noite também circularam pelas redes sociais na época.
A festa contou com uma programação extensa de música eletrônica. Entre os artistas mencionados estão Solomun, DJ Ninja, DJ Vintage e Swedish H. Mafia. As apresentações teriam começado às 20h30 e seguido até as 7h do dia seguinte. A dimensão do evento e a presença de artistas conhecidos chamaram a atenção de internautas quando imagens da comemoração começaram a circular.
Na nota divulgada nesta sexta, o Madame explica inicialmente como funciona a utilização comercial do espaço. Segundo a administração, nos dias em que a casa não realiza sua programação cultural habitual, as instalações podem ser alugadas para diferentes tipos de atividades privadas.
“Nos dias em que a casa não opera com sua programação cultural habitual, suas instalações ficam disponíveis para locação com finalidades diversas, tais como eventos corporativos, produções audiovisuais, sessões fotográficas e comemorações privadas”, afirma o comunicado.
“O espaço foi estritamente locado para uma agência/produtora de eventos terceirizada, mediante contrato formal de prestação de serviços de locação de infraestrutura. Não houve contratação ou negociação direta entre a administração do clube e a pessoa física mencionada nas reportagens recentes. O Madame Underground Club é um espaço estritamente comercial e artístico. A locação de suas instalações para eventos privados não representa apoio, participação ou envolvimento do clube com atividades, posicionamentos ou condutas dos respectivos contratantes e convidados”.
A casa repudia “veementemente qualquer tentativa de associar a sua marca a ilícitos ou escândalos de qualquer natureza”.
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As informações reunidas pela PF também mencionam o ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro Fábio Faria. Ele organizava as festas e convocava as mulheres, inclusive as “suíças”, e os poderosos.
“A pedido do anfitrião, transmitiu convites a amigos em comum para um evento privado. Sua participação se limitou a isso”, afirmou Faria em nota sobre o episódio.
A festa em São Paulo é apenas uma das celebrações privadas atribuídas a Vorcaro que aparecem no material investigado. Há registros de eventos realizados em uma embarcação em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A investigação aponta que o banqueiro seria proprietário de uma residência na Ilha do Jorge e promoveria encontros em um barco de alto padrão.
O comandante da embarcação, Luís Felipe Woyceichosk, prestou depoimento à Polícia Federal e descreveu aos investigadores a realização dessas festas. Segundo seu relato, Vorcaro era dono da empresa de jatinhos Prime You e uma diretora da companhia seria responsável por levar mulheres aos eventos. Woyceichosk era responsável pelo iate de luxo utilizado pelo banqueiro.
O relatório da PF registrou a seguinte descrição do depoimento: “Daniel Vorcaro produzia grandes festas no barco, regadas a bebidas, drogas e garotas de ‘programa’, estas agenciadas (trazidas) por diretora de Operações da PRIME YOU, com a presença de personalidades”.
Outras festas privadas atribuídas a Vorcaro já haviam aparecido anteriormente no material extraído de seus aparelhos. Entre elas está o chamado “Cine Trancoso”, realizado na mansão do banqueiro na Bahia. O nome estaria relacionado ao circuito interno de câmeras existente na propriedade, que teria registrado imagens de autoridades e outras figuras públicas.
A divulgação de novos documentos relacionados ao Caso Master ganhou impulso depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou na quinta-feira (10) o sigilo de parte das investigações sob sua relatoria. O presidente da Corte, Edson Fachin, também determinou nesta sexta-feira (11), após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a liberação dos documentos restantes no prazo de 24 horas.