
Investigadores da Polícia Federal afirmam que André Mendonça sinalizou, em reuniões com integrantes de seu gabinete, que evitaria dar andamento a novas solicitações da corporação relacionadas ao caso “Dark Horse” a partir de julho, para não interferir na eleição presidencial. A informação foi publicada nesta sexta-feira (11) pelo SBT News e acrescenta um novo elemento à controvérsia sobre o ritmo da investigação que atinge diretamente Flávio Bolsonaro.
Segundo os investigadores, a sinalização provocou frustração dentro da PF. Interlocutores de Mendonça apresentam uma versão oposta e afirmam que todas as solicitações encaminhadas pela corporação foram atendidas e sustentam que a polícia não pediu ao gabinete buscas contra Flávio Bolsonaro ou outras medidas semelhantes. O relato sobre uma orientação para evitar decisões eleitorais não aparece, até agora, em despacho público do ministro.
A cronologia torna a informação especialmente relevante. Em 22 de julho, Mendonça autorizou formalmente a abertura da investigação sobre os recursos enviados por Daniel Vorcaro para “Dark Horse”, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração busca esclarecer possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e tem Flávio Bolsonaro como investigado.
Já naquele período, aliados de Flávio Bolsonaro temiam uma eventual operação de busca e apreensão durante a campanha. O caso envolve recursos captados por Flávio Bolsonaro junto a Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro e transferências para estruturas financeiras nos Estados Unidos. Uma das linhas de investigação é verificar o destino integral desses valores e se parte do dinheiro teve finalidade diferente da produção cinematográfica.

A existência de medidas ainda dependentes do relator voltou ao centro da discussão nesta semana. Na terça-feira (9), foi noticiado que a PF já teria uma operação preparada na frente de “Dark Horse”, mas dependeria de autorização de Mendonça para avançar. A informação, atribuída a bastidores da investigação, não veio acompanhada da divulgação pública dos pedidos que estariam pendentes no gabinete.
Isso não significa que Mendonça tenha paralisado completamente o caso depois de julho. Na quarta-feira (9), o ministro homologou a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, operador ligado a Vorcaro que confirmou transferências milionárias para o fundo Havengate, usado no financiamento de “Dark Horse”. A distinção é importante: o relato publicado pelo SBT trata especificamente de solicitações investigativas da PF e não afirma que nenhum ato judicial tenha sido praticado no período.
O tema também já havia provocado conflito aberto dentro do Supremo. Flávio Dino, responsável por uma frente distinta sobre emendas parlamentares e empresas ligadas à produtora do filme, passou a sustentar nos bastidores que decisões de Mendonça poderiam prejudicar investigações de “Dark Horse”. A disputa se agravou quando Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, medida posteriormente suspensa por Edson Fachin.