Roteiro para o caso Master – com os temas a serem investigados, por Luís Nassif

1. André Mendonça

1A. Grupo ITER / acesso político ao ministro

  • André Mendonça — fundador do Instituto Iter; recebeu Daniel Vorcaro na sede do instituto, em março de 2025, fora da agenda oficial. Disse que a conversa tratou da STP 976 e de precatórios e que votou contra o interesse defendido pelo banqueiro. Em setembro de 2026, anunciou a saída da sociedade do Iter. 🟢/🟡
  • Victor Godoy — CEO do Iter e ex-ministro da Educação. 🟢
  • Janey Nagliatti Mendonça — esposa de André Mendonça e então cotista do Iter; as cotas do casal foram cedidas sem contrapartida, segundo nota do ministro. 🟢
  • Ciro Rocha Soares — advogado que atuava para o Master; articulou a aproximação e aparece em áudio dizendo que estava “trabalhando” por Vorcaro ao acompanhar Mendonça a uma alfaiataria. 🟢/🟡
  • Cezinha de Madureira (PL-SP) — deputado que intermediou e marcou o encontro de Vorcaro com Mendonça no Iter; apontado também como apoiador da indicação do ministro ao STF. 🟢
  • Michelle Bolsonaro — apontada nos relatos internos como apoiadora política da indicação de Mendonça e como cliente de Bialski; o vínculo com a condução do caso ainda exige comprovação documental. 🟡
  • Esposa de Cezinha de Madureira — citada nos relatos como advogada e cliente de Bialski; nome e papel ainda não confirmados. 🔴
  • Vasco Vasconcellos — alfaiate em cuja loja Ciro Soares fotografou-se com Mendonça; o ministro apresentou notas fiscais para afirmar que pagou as próprias roupas. 🟢

Pendências prioritárias — ITER

  • [ ] Obter quadro societário completo e alterações contratuais do Iter desde a fundação.
  • [x] Identificar dirigentes, professores, captadores e responsáveis comerciais do instituto.
  • [ ] Levantar contratos públicos, notas fiscais, objetos, entregas e dispensas de licitação — especialmente São Roque/Cioeste, Rio de Janeiro e Tribunal de Justiça do Amazonas.
  • [x] Confirmar as 37 notas fiscais mencionadas na apuração interna e cruzar datas com a visita de Vorcaro.
  • [ ] Identificar a esposa de Cezinha e comprovar os vínculos profissionais alegados.

1B. Grupo que assessora a operação no STF

  • Rodrigo Sorrenti Hauer Vieira — chefe de gabinete de Mendonça. 🟢
  • Fernando Braz Ximenes — juiz instrutor. 🟢
  • Gabriel Pires de Campos Sormani e Carina Lucheta Carrara — juízes auxiliares; Fachin autorizou reforço para que o gabinete passasse a contar com três juízes auxiliares e um instrutor. 🟢
  • Assessores do gabinete: Eduardo Chabaribery Liborio; Edvaldo Ramos Nobre Filho; Graziela Machado da Costa e Silva; Monique Taborda Cavalheiro Tavares; Rafael Campos Soares da Fonseca; Rafael Ferreira de Souza; Sandro Souza Schwinden; Tercio Issami Tokano; Vanir Fridriczewski; Vitor Fernando Gonçalves Cordula. 🟢
  • A imprensa informou que três assessores trabalhavam com exclusividade no caso Master, mas não publicou quais eram. 🔴
  • PF — equipe operacional: delegada Janaína Palazzo é citada em informação de Polícia Judiciária e em audiência do período Toffoli; integrantes da Direx e da Dicor participaram de reunião com o gabinete. Os demais nomes não estão publicamente consolidados. 🟡/🔴

Pendências prioritárias — operação

  • [x] Identificar nominalmente os três assessores exclusivos e o magistrado destacado ao Master.
  • [x] Obter portarias de designação, divisão de tarefas, datas de entrada e eventual conflito com vínculos externos.
  • [x] Confirmar a composição da equipe PF antes e depois da troca de relatoria; testar a alegação de que houve “mudança” da equipe.
  • [x] Mapear reuniões do gabinete com PF, PGR, defesas e interessados, com agenda, participantes e memoriais.

2. Parlamentares citados no caso Master

Núcleo com fatos financeiros, mensagens ou medidas investigativas

  • Flávio Bolsonaro (senador, PL-RJ) — pediu apoio para o filme Dark Horse; documentos apontam cerca de R$ 61 milhões transferidos, dentro de previsão maior. Admitiu o pedido e encontro com Vorcaro, mas nega irregularidade. 🟢/🟡
  • Ciro Nogueira (senador, PP-PI) — mensagens, “Emenda Master”, viagens e suspeita de repasses mensais de R $300 mil a R$ 500 mil, totalizando cerca de R$ 6 milhões; alvo de busca. Nega irregularidades. 🟡
  • Hugo Motta (deputado, Republicanos-PB) — mensagens e viagem em jatinho; teria solicitado empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para empresa da cunhada Bianca Medeiros. Afirma que a operação foi legal. 🟢/🟡
  • Davi Alcolumbre (senador, União-AP) — mensagens, visita à residência oficial, investimentos da Amprev e alegação em proposta de delação de pagamento de US$ 30 milhões; nega. 🟡
  • Jaques Wagner (senador, PT-BA) — buscas no entorno; suspeitas de favores, imóvel, viagens e pagamentos a empresa da família. Nega vantagem indevida. 🟡
  • Mário Frias (deputado, PL-SP) — produtor executivo de Dark Horse; alvo da Operação Make Up em 10/09/2026 por suspeita de desvio de emendas para entidades ligadas à produtora. 🟡
  • Nikolas Ferreira (deputado, PL-MG) — usou jatinho de Vorcaro em 2022 e pediu ajuda para negócio de mineração ligado a ex-assessor; não há prova publicada de que o pedido tenha sido atendido. 🟢/🟡
  • Cezinha de Madureira (deputado, PL-SP) — ponte entre Vorcaro e Mendonça. 🟢
  • Aécio Neves (deputado, PSDB-MG) — citado em mensagens e encontros sociais; sem ilícito demonstrado nessa menção. 🟢

Ex-parlamentares ou políticos com mandato anterior citados

  • Fábio Faria — ex-deputado e ex-ministro; intermediário entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e parceiro em negócio eólico de R$ 67,5 milhões. 🟢/🟡
  • Flávia Arruda / Flávia Péres — ex-deputada e ex-ministra; Instituto Terra Firme aparece em registros de repasse de R$ 457 mil, contestado por ela. 🟡
  • ACM Neto — ex-deputado; consultoria recebeu pagamentos do Master/Reag e houve encontro com Vorcaro. Diz que os serviços foram regulares. 🟢
  • Marconi Perillo — ex-senador; empresa de consultoria recebeu R$ 14,5 milhões entre 2022 e 2025. 🟢
  • Michel Temer — ex-deputado e ex-presidente; escritório recebeu honorários do grupo Master para atuar na tentativa de venda ao BRB. 🟢
  • Luiz Estevão — ex-senador; Metrópoles recebeu R$ 27,2 milhões em publicidade/patrocínio, operação classificada como inusitada pelo Coaf; ele afirma regularidade. 🟡
  • Ronaldo Caiado — ex-senador e então governador; citado por mudanças no consignado de Goiás após reuniões com o banco; governo nega favorecimento. 🟡

Pendência-chave: montar planilha-mãe com nome, cargo, partido, tipo de vínculo, valor, documento de origem, versão do citado e situação processual.

3. Pessoas-chave associadas a Daniel Vorcaro

Família e núcleo empresarial

  • Henrique Vorcaro — pai; citado em fundos, patrimônio e medidas cautelares.
  • Fabiano Zettel — cunhado; ligado à Super Empreendimentos e a operação imobiliária da mansão de Brasília.
  • Felipe Cançado Vorcaro — primo; fiador de operações da Green Energia e alvo de prisão temporária.
  • Augusto Ferreira Lima — ex-sócio e ex-CEO do Master/Banco Pleno; elo Bahia/CredCesta.
  • Maurício Quadrado — executivo associado ao banco e citado nas mensagens.
  • Martha Graeff — então namorada; destinatária de mensagens que registram encontros, viagens e relações políticas.
  • Valério Marega Júnior (“Valério Fundos”) — operador financeiro ligado a estruturas de fundos.
  • Artur Martins de Figueiredo — apontado pela PF como executor técnico de movimentações e ajustes contábeis em empresas do esquema.

Defesa, lobby e comunicação

  • José Luís de Oliveira Lima (“Juca”) — advogado inicial; teria sido afastado após disputa interna.
  • José Luis Oliveira Lima Bialski — entrou posteriormente; apontado nos relatos como articulador de nova estratégia de colaboração e mídia.
  • Engels Muniz — advogado/articulador citado como central na disputa pela condução da colaboração.
  • Sérgio Leonardo — advogado citado como buscando se afastar da estratégia contestada.
  • Ciro Rocha Soares — advogado e ponte com Mendonça.
  • Fábio Wajngarten — comunicação/estratégia de imagem; empresa recebeu ao menos R$ 3,8 milhões.
  • Thiago Miranda — publicitário/captador ligado ao financiamento de Dark Horse.
  • Karina Ferreira da Gama — produtora ligada ao filme, Go Up e Instituto Conhecer Brasil; alvo da Operação Make Up.

Pontes institucionais e políticas

  • Fábio Faria, Ciro Nogueira, Hugo Motta, Antônio Rueda, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Henrique Meirelles, Paulo Henrique Costa (ex-BRB) e Roberto Campos Neto (ex-BC).

4. Movimentações no STF, PGR e PF

STF

  1. Relatoria inicial de Dias Toffoli → saída após relatório da PF apontar menções e conexões; posterior declaração de suspeição em desdobramentos. 🟢
  2. André Mendonça assume a relatoria em fevereiro de 2026. 🟢
  3. Prisão preventiva e novas fases → Mendonça autoriza novas medidas da Compliance Zero; Segunda Turma mantém prisões. 🟢
  4. Reforço do gabinete → Fachin amplia equipe de juízes e servidores. 🟢
  5. Relatórios e sigilo → Mendonça retira sigilo de material da PF sobre mensagens envolvendo Moraes, Gonet e Andrei; há crítica de uso seletivo de informações. 🟢/🟡
  6. Crise Moraes–Mendonça → novas mensagens e pedido para que o Plenário examine possível investigação; presidência do STF administra a crise. 🟡
  7. Suspeição de Mendonça → partidos e parlamentares pedem afastamento da relatoria; relato interno aponta peça de outro réu em preparação. 🔴

PGR

  • Recebeu propostas de colaboração de Vorcaro; houve termo de confidencialidade e negociações, com divergências sobre utilidade, novidade e corroboração. 🟡
  • PF e PGR rejeitaram propostas anteriores; relatos internos sustentam que houve nova tentativa e disputa pela condução do acordo. 🟡
  • Mendonça cobrou explicações sobre mensagem que citava “Paulo” e “Andrei” e possível pedido de proteção. 🟢
  • A PGR fechou acordo com empresário ligado a pagamentos de Dark Horse; conteúdo e alcance precisam ser monitorados. 🟢/🔴

Polícia Federal

  • Compliance Zero investiga fraude financeira, lavagem, corrupção e obstrução; sucessivas fases alcançaram núcleos financeiro, familiar e político. 🟢
  • Celular de Vorcaro é o eixo documental: mensagens com políticos, ministros e intermediários. 🟢
  • Disputa sobre equipe e delação → PF rejeitou propostas por falta de novidade/corroboração; há alegação de mudança da equipe, ainda não comprovada nominalmente. 🟡/🔴
  • Operação Make Up — 10/09/2026 → 49 buscas e 29 investigados por suspeito desvio de emendas para entidades ligadas à produção de Dark Horse; entre os alvos, Mário Frias, Karina Gama, Raphael Augusto Azevedo, André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso. 🟢/🟡

Fatos pendentes centrais

  • [x] Qual foi a sequência exata entre termo de confidencialidade, propostas de delação e segunda prisão?
  • [x] Quem pediu, negociou, rejeitou e vazou cada proposta de colaboração?
  • [x] Qual o conteúdo integral dos anexos envolvendo Flávio Bolsonaro, Davi Alcolumbre e outras autoridades?
  • [ ] Por que materiais sobre Dark Horse permaneceram sob sigilo enquanto outros trechos foram divulgados?
  • [x] Quem eram os destinatários efetivos das mensagens que pediam “proteção” a Gonet e Andrei?
  • [ ] A equipe da PF foi realmente alterada? Quais nomes entraram, saíram ou trabalharam em paralelo?
  • [ ] Qual a situação formal dos pedidos de suspeição de Mendonça e de investigação de Moraes?

5. Financiamentos, empréstimos e repasses ligados a Vorcaro/Master

Empréstimos identificados

  • Bianca Medeiros / empresa da cunhada de Hugo Motta — pelo menos R$ 22 milhões para compra de terreno em João Pessoa; Motta teria pedido a liberação. Operação defendida como regular. 🟢/🟡
  • Walfrido dos Mares GuiaR$ 45,5 milhões em 2024 para subscrição de ações da Biomm (R $10 milhões + R$ 35 milhões, aproximadamente). Afirma finalidade empresarial regular. 🟢
  • Isaac Sidney, presidente da Febraban — R$ 5,5 milhões em 2020; afirma regularidade. 🟢
  • Super Empreendimentos e Participação / Fabiano Zettel — operação associada à compra de mansão de R$ 36 milhões em Brasília; empresa integra lista de companhias sob suspeita de empréstimos fraudulentos. 🟡
  • 3D Minerals — crédito de R$ 152,9 milhões para projeto de minerais críticos, posteriormente cedido ao BRB. 🟢/🟡
  • Empresas ligadas à família e sócios — investigação aponta R $1,8 bilhão de R$ 3,5 bilhões aplicados por fundos do Master em empresas vinculadas aos próprios sócios; lista completa das 35 companhias/112 operações ainda deve ser obtida. 🟡/🔴

Financiamento político/cultural e pagamentos — não confundir com empréstimos

  • Dark Horse — cerca de R$ 61 milhões já rastreados; cronograma previa aproximadamente US $24 milhões/R$ 134 milhões. Flávio Bolsonaro solicitou apoio; Thiago Miranda, Entre Investimentos, Havengate e Karina Gama aparecem na cadeia. 🟢/🟡
  • Fábio Faria / projeto eólico — negócio de R$ 67,5 milhões, cujo valor econômico e execução são pontos de apuração. 🟡
  • Consultorias, advocacia e comunicação — pagamentos documentados a Henrique Meirelles (R $18,5 mi), Guido Mantega/Pollaris (R$ 14 mi), Michel Temer/escritório (R $7,5–10 mi), Antônio Rueda/escritórios (R$ 6,4 mi), Marconi Perillo/MV (R $14,5 mi), Ricardo Lewandowski/escritório (R$ 6,1 mi), ACM Neto/A&M (R $5,45 mi), Fábio Wajngarten/WF (R$ 3,8 mi), BN Financeira/família de Jaques Wagner (R $12 mi), Jaques Wagner pessoa física (R$ 268,7 mil) e Barci de Moraes Sociedade de Advogados (cerca de R$ 80 mi declarados à Receita; reportagens citam contrato maior). São pagamentos por serviços declarados, não necessariamente financiamentos. 🟢/🟡

Pendências prioritárias — dinheiro

  • [x] Obter a relação integral das 35 empresas e das 112 operações de crédito, com devedor, beneficiário final, garantia, taxa, vencimento, cessão e inadimplência.
  • [x] Separar quatro naturezas: empréstimo, investimento, patrocínio/doação e pagamento por serviço.
  • [x] Rastrear beneficiário final de cada fundo e empresa intermediária.
  • [x] Conferir valores divergentes nos contratos de Barci de Moraes, Temer e Dark Horse.
  • [ ] Verificar se houve recursos públicos, garantias ou carteiras cedidas ao BRB em cada operação.

6. Linha de apuração imediata

  1. Documentos: decisões do STF, relatórios da PF, manifestações da PGR, anexos de delação, Receita/Coaf e contratos do Iter.
  2. Pessoas: identificar os três assessores exclusivos; esposa de Cezinha; integrantes da equipe PF; signatários e intermediários de Dark Horse.
  3. Dinheiro: construir fluxo “origem → fundo/empresa → destinatário → contrapartida alegada → situação atual”.
  4. Cronologia: fevereiro de 2024 a setembro de 2026, cruzando mensagens, encontros, decisões, pagamentos e operações policiais.
  5. Contraditório: registrar em cada nó a versão oficial e a resposta do citado.

Fontes-base

Nota editorial: as listas são um mapa de investigação, não uma imputação coletiva. Cada publicação deve indicar a fonte do vínculo, a natureza do fato, o estágio processual e a resposta da pessoa citada.

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