PF põe em xeque “lastro financeiro” de Mário Frias após repasses a “Dark Horse”

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou R$ 1,4 milhão em transferências feitas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pela NTT Brasil à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os repasses entraram na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas nesta quinta-feira (10) em investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Com informações de g1.

Frias enviou R$ 645,4 mil à produtora em menos de dois meses, no fim de 2025. A PF apontou que os rendimentos mensais declarados pelo deputado, de R$ 44.008,52, colocam “em questão o lastro financeiro” para transferências desse valor em intervalo inferior a 60 dias.

A NTT Brasil, administrada pelo empresário Heric Dias, repassou outros R$ 750 mil à Go Up. Karina Ferreira Gama preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e também é dona da produtora que recebeu os valores.

As movimentações analisadas ocorreram quando a equipe filmava “Dark Horse” em São Paulo, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. O ator americano Jim Caviezel interpreta Bolsonaro na produção.

Ministro Flávio Dino
Ministro Flávio Dino. Foto: Reprodução

PF apura conexão entre fornecedores do instituto e produtora

Os investigadores analisam uma possível conexão indireta entre recursos do ICB, empresas ligadas ao grupo empresarial de Heric Dias, a NTT Brasil e a Go Up. O instituto recebeu R$ 2 milhões de Frias por meio de duas emendas parlamentares e subcontratou empresas para executar projetos.

A Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, apontados pela PF como integrantes do mesmo grupo empresarial, receberam juntos cerca de R$ 700 mil do ICB no Termo de Fomento nº 971232. Depois, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil à Go Up, valor próximo ao pago às duas empresas.

A PF registrou que não há elementos para afirmar que os R$ 750 mil enviados pela NTT tenham origem direta nos recursos recebidos do ICB. Para os investigadores, a proximidade entre os valores e o período das operações justifica o aprofundamento da análise financeira. Luiza Tessari Dias, mulher de Heric Dias, doou R$ 70 mil à campanha de Frias em 2022, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral citados na apuração.

Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões, com R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos, em operações classificadas como atípicas pela PF. Entre os destinatários constam o Hotel Unique, que recebeu R$ 906,7 mil, e a Foodflix Alimentação, com R$ 653,1 mil. Em vídeo nas redes sociais, Frias chamou a operação de “cortina de fumaça”, negou irregularidades e afirmou que entregará os documentos solicitados pela investigação.

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