
A Polícia Federal identificou que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, transferiu R$ 8,5 milhões para empresas em nome de cuidadora de idosos e servente de obras. Ela é dona da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na manhã desta quinta (10), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Karina. O ICB, entidade fundada por ela, mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Um Relatório de Inteligência Financeira analisado pela investigação apontou que a Ultra IP abriu conta bancária em 25 de julho de 2024. Entre 30 de julho e 9 de outubro daquele ano, a empresa movimentou R$ 31,6 milhões em menos de três meses, divididos em R$ 15,8 milhões em créditos e R$ 15,8 milhões em débitos.
O ICB figurou como o principal remetente dos recursos no período, com oito transferências que somaram R$ 8.554.301,14. A Ultra IP havia adotado anteriormente o nome William Silva Ferreira Representações.

PF detalha transferências da Ultra IP para empresas investigadas
Para a Polícia Federal, a Ultra IP atuava como uma das empresas redistribuidoras de valores dentro da rede investigada. Depois de receber recursos do ICB, a companhia enviava quantias a outras pessoas jurídicas que passaram a ser examinadas no inquérito.
A ABC Logísticas e Serviços Ltda. recebeu R$ 1.075.586 da Ultra IP. A empresa tinha capital social declarado de R$ 500 mil e Nayara Bianca Silva de Souza como única sócia; a investigação apontou que ela trabalhava como cuidadora de idosos, recebia salário médio de R$ 1.815 e era beneficiária do Novo Bolsa Família.
A Ultra IP também transferiu R$ 627.482,25 para a Fastsoftsolution Mídia Desenvolvimento e Publicidade Ltda., que tinha capital social de R$ 300 mil. O único sócio da firma, Anderson Souza Mendes, tinha como última ocupação formal registrada a de servente de obras, com remuneração média entre um e dois salários mínimos.
Outra transferência identificada pela PF destinou R$ 1.336.201,50 à Academia Nacional de Cultura, também presidida por Karina Gama. A investigação apura se, entre 2024 e 2026, envolvidos usaram pessoas físicas e jurídicas interpostas para ocultar origem, localização, movimentação e titularidade de valores de supostos desvios de recursos públicos federais.