
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca nesta quinta (10) em uma investigação que envolve a produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), contratos de wi-fi da Prefeitura de São Paulo e emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP). O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação, que alcançou São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Frias está entre os alvos da ação. A decisão também proibiu 29 pessoas de deixar o país ou manter contato entre si e vetou que 22 empresas e entidades contratem com o poder público. A PF apura se recursos destinados a projetos executados por entidades e empresas foram desviados de suas finalidades e usados em benefício de pessoas ligadas ao filme.
Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse” e dona da Go Up Entertainment, preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). O ICB recebeu emendas parlamentares e mantém um contrato superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de wi-fi.
Empresas como Complexsys Apoio Administrativo, Ultra IP Tecnologia e Serviços e Urban Connect Serviços e Tecnologia foram ou ainda são subcontratadas pelo ICB nesse contrato. Entre os alvos está Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do PCC e conhecido como “Escorpião do PCC”; ele atuou como representante da Favela Conectada, empresa que depois passou a se chamar Urban Connect Serviços.

Diego Aguilera, advogado de Mario Frias, também entrou na lista de alvos. Seu escritório, Aguilera Martinez Sociedade Individual de Advocacia, recebeu R$ 454 mil do ICB dentro dos valores pagos pela Prefeitura de São Paulo à entidade pelo serviço de wi-fi.
A Prefeitura afirmou que não identificou irregularidades na assinatura e na execução do termo de colaboração com o ICB. A administração de Ricardo Nunes (MDB) declarou que a Controladoria Geral do Município acompanha as investigações desde as primeiras denúncias e abriu um procedimento em maio de 2026, ainda em andamento.
Outra frente da investigação alcança uma emenda de R$ 1 milhão destinada por Mario Frias ao ICB para um programa de empreendedorismo e letramento digital voltado a estudantes do 4º e 5º anos da rede pública no interior paulista. Diretores de escolas e moradores da cidade informaram que não conheciam o projeto, que não saiu do papel.
Na prestação de contas da emenda, o ICB relacionou pagamentos a seis empresas que somam R$ 1 milhão, entre elas a LF&P Consulting, do advogado Fabio Lago Meirelles, também alvo da PF. A operação ainda atingiu a Recovery Black Intermediações e Consultoria, mencionada na investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS; a presença da empresa nos dois casos, por si só, não estabelece ligação entre as apurações.