A Plenária Nacional de Mobilização – Lula Presidente, realizada na noite desta quarta-feira (9), reuniu cerca de 500 participantes em uma videoconferência convocada conjuntamente pela Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Fórum das Centrais Sindicais. A atividade ocorreu a pouco mais de 20 dias do primeiro turno das eleições e teve como objetivo avaliar a conjuntura, discutir os desafios da campanha e definir iniciativas para ampliar a mobilização em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
A dimensão da participação foi destacada já na abertura. Segundo a coordenação, a sala virtual chegou a atingir sua capacidade, obrigando a organização a ampliar o número de vagas para permitir a entrada dos participantes e dos convidados.
A plenária foi convocada diante da avaliação de que a disputa eleitoral entrou em uma fase decisiva e de agravamento da conjuntura política. A coordenação da campanha de Lula apresentou um diagnóstico de maior pressão sobre a candidatura, enquanto representantes dos movimentos sociais e das centrais defenderam uma reação baseada em organização territorial, mobilização popular e disputa nas redes.
Plenária aponta reta final de alta mobilização

Houve uma avaliação comum sobre o agravamento da conjuntura e a necessidade de reforçar a campanha em várias frentes. Ao mesmo tempo, o campo progressista não deve permanecer concentrado apenas na crise institucional e nos escândalos políticos.
A orientação definida é ampliar a presença nos territórios (comunidades locais), fortalecer a campanha nas redes, organizar plenárias estaduais e municipais e avaliar a realização de uma mobilização nacional concentrada. O dia 13 deverá funcionar como uma primeira jornada de mobilização reforçada.
A plenária terminou com um diagnóstico de disputa apertada e com a defesa de uma mudança de ritmo. Em vez de aguardar os movimentos do adversário, os participantes defenderam colocar a militância em campo, ampliar o trabalho de base e transformar o período final da campanha em uma sequência de ações coordenadas pela reeleição de Lula.
Campanha é chamada à ofensiva
Na abertura política do encontro, ex-deputada estadual Lucinha do MST, integrante da coordenação da campanha de Lula, afirmou que a eleição entra em suas últimas semanas em um dos momentos mais difíceis da disputa. Segundo ela, a direita passou a concentrar sua ofensiva no tema da corrupção e, mais recentemente, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
A avaliação apresentada foi de que a ofensiva procura não apenas atingir eleitoralmente Lula, mas também provocar instabilidade institucional e deslocar o debate público para um terreno desfavorável à campanha. Diante disso, a coordenação informou que trabalha em mudanças na comunicação para torná-la mais ofensiva e concentrar a mensagem nos temas capazes de dialogar diretamente com o eleitorado.
A prioridade indicada foi aumentar a presença da campanha, especialmente junto ao chamado eleitor pêndulo (aquele que ainda pode votar em qualquer dos candidatos), enquanto a coordenação prepara uma força-tarefa para atuar nos estados e regiões considerados estratégicos. A proposta envolve a participação conjunta da coordenação da campanha, executivas partidárias e ministros do governo.
Movimentos defendem retomada da ofensiva
Representantes do MST e da Frente Povo Sem Medo avaliaram que a campanha vinha apresentando baixa temperatura política e defendem uma mudança imediata de ritmo. Entre as propostas apresentadas estiveram a convocação de uma coordenação ampliada com Lula, o reforço do trabalho de base, a regularização da distribuição de materiais e a criação de espaços de organização nos estados e municípios.
Destacou-se a necessidade de combinar comitês populares, brigadas de mobilização e ativismo digital e afirmou que a reta final da campanha exige maior capacidade de coordenação política.
Dia 13 será de mobilização reforçada
Um dos principais encaminhamentos da plenária foi o reforço das mobilizações previstas para 13 de setembro. A proposta apresentada por representantes dos movimentos, como o secretário de Movimentos Sociais do PCdoB da Bahia Caio Botelho, foi incorporar as ações convocadas pela campanha de Lula e ampliar sua dimensão, envolvendo partidos, frentes, sindicatos, comitês populares e brigadas.
A ideia, segundo a síntese apresentada ao final do encontro, não é necessariamente transformar o dia 13 em um único grande ato nacional, mas realizar uma série de atividades simultâneas nos territórios, cidades e estados, dando maior volume à campanha.
Entre as iniciativas citadas estão bandeiraços, panfletagens, carreatas, atividades dos comitês populares e ações articuladas com as campanhas proporcionais. A orientação também prevê reforço da comunicação digital, numa estratégia que procura integrar a atuação nas ruas e nas redes sociais.
Debate sobre um grande dia nacional
Outro ponto de convergência foi a necessidade de construir um Dia Nacional de Mobilização Concentrada antes do primeiro turno. A data de 20 de setembro foi apresentada como possibilidade por participantes, especialmente pela avaliação de que seria necessário tempo para organizar uma mobilização de maior dimensão.
A proposta será levada às operativas das duas frentes e do Fórum das Centrais para avaliação e definição. O objetivo apontado é construir uma mobilização em defesa da democracia e da soberania nacional, contra a ofensiva da extrema direita e em apoio à candidatura Lula.
Também foi anunciada a intenção de realizar plenárias presenciais nos estados e municípios, reproduzindo a experiência nacional e criando espaços para organização das tarefas eleitorais.
6×1, soberania e legado do governo Lula
A plenária também discutiu a necessidade de evitar que a campanha fique restrita às denúncias e à crise institucional. Na síntese final, destacou-se que houve consenso sobre a importância de apresentar um projeto de país, recuperando pautas sociais e econômicas.
Entre os temas destacados esteve o fim da escala 6×1, apresentado como uma bandeira com forte apoio social e diretamente associada à candidatura de Lula. Também ganharam espaço a defesa da soberania nacional, a apresentação dos resultados do governo Lula e a comparação com o legado do governo Bolsonaro.
A estratégia, portanto, busca combinar a resposta aos ataques políticos com uma agenda capaz de falar sobre as condições concretas de vida da população.
Geração Lula mira eleitores com mais de 70 anos
Durante a plenária, foi apresentada a iniciativa Geração Lula, desenvolvida pela campanha para ampliar a mobilização entre eleitores com mais de 70 anos.
Segundo os dados apresentados, o Brasil possui cerca de 16 milhões de eleitores nessa faixa etária, que não são obrigados a votar. A campanha identifica a elevada abstenção desse segmento como uma oportunidade estratégica para a disputa eleitoral e pretende mobilizar apoiadores para convencer familiares, amigos e conhecidos a comparecer às urnas.
A orientação é levar a campanha para os espaços de circulação desse público e trabalhar também com redes familiares e comunitárias. A proposta foi incorporada ao conjunto de estratégias de mobilização territorial e digital discutidas durante a plenária.
Redes sociais são tratadas como território político
A comunicação digital foi outro eixo importante do encontro, buscando uma atuação mais coordenada da militância digital.
Eexiste uma rede nacional de páginas, influenciadores e ativistas progressistas que já atua de forma articulada, mas é necessário ampliar a coordenação para evitar a dispersão das mensagens. A orientação apresentada foi trabalhar diariamente com um ou dois temas prioritários e buscar a atuação conjunta de movimentos, partidos, sindicatos e lideranças.
A avaliação compartilhada por diferentes participantes foi de que não existe mais uma separação rígida entre a disputa política nas ruas e nas redes. A campanha precisa, portanto, atuar simultaneamente nos dois espaços.
Centrais defendem comitês nos locais de trabalho
Representantes das centrais sindicais defenderam a organização dos locais de trabalho como espaços de mobilização política, aproximando sindicatos, movimentos populares e campanhas eleitorais.
A orientação é transformar a estrutura sindical e dos movimentos em uma rede de diálogo direto com a população, apresentando resultados do governo Lula, fazendo o contraponto às propostas da direita e articulando a campanha presidencial com as candidaturas proporcionais e ao Senado.