
Bruno Scheid (PL), candidato ao Senado por Rondônia apoiado pelo bolsonarismo, afirmou que Marina Silva (Rede) está fazendo “hora extra” na Terra e que Deus deveria “chamá-la para ir descansar”. A declaração foi feita ao podcast RD Entrevista e divulgada nesta terça-feira (8) pelo Metrópoles. No mesmo dia, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) decidiu por unanimidade que Scheid não poderá usar “Bruno Bolsonaro Scheid” como nome de urna.
Ao falar sobre Marina, candidata ao Senado por São Paulo, Scheid a chamou primeiro de “tartaruga” e “jabuti”. “É o tipo de gente que já está fazendo hora extra. Deus tinha que chamar aquilo para ir descansar”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Você tá enchendo o saco dos outros pra caralho aí”. Quando o entrevistador perguntou se ele estava dizendo que gostaria que Marina morresse, Scheid recuou: “Não é que eu gostaria que ela morresse. É que ou ela deixa de falar as asneiras ou ela vai procurar outra atividade”. O vídeo da declaração foi publicado pelo Metrópoles.
A fala ocorre justamente quando Scheid sofre uma derrota na Justiça Eleitoral por sua tentativa de incorporar o sobrenome de Jair Bolsonaro à candidatura. O TRE-RO manteve seu registro para disputar o Senado, mas barrou o uso de “Bolsonaro” na urna. A relatora, juíza federal Sandra Maria Correia da Silva, entendeu que a proximidade do candidato com Jair não basta para demonstrar que ele seja notoriamente conhecido pelo sobrenome do ex-presidente.
A disputa pelo nome já havia levado o Ministério Público Eleitoral a pedir a impugnação de Scheid caso ele insistisse em concorrer como “Bruno Bolsonaro Scheid”. Para a Procuradoria, ele teria “construído artificialmente o sobrenome Bolsonaro durante a pré-campanha” para obter vantagem eleitoral. O órgão classificou a conduta, em tese, como possível desinformação e fraude à legislação eleitoral por poder induzir eleitores a acreditar em um vínculo familiar inexistente.
🗳️ ELEIÇÕES | Candidato de Bolsonaro diz que Marina Silva faz “hora extra” na Terra
Saiba mais na coluna de Demétrio Vecchioli pic.twitter.com/WuAmOJsdQu
— Metrópoles (@Metropoles) September 9, 2026
A relação de Scheid com Jair Bolsonaro, porém, é antiga e próxima. Ele atuou na arrecadação de recursos entre ruralistas para a campanha presidencial de 2022 e esteve pelo menos 11 vezes no Palácio do Planalto entre o fim de 2021 e o começo de 2022, segundo registros oficiais obtidos à época por meio da Lei de Acesso à Informação. Scheid também ocupa posição de direção no PL de Rondônia e vem construindo sua candidatura diretamente associada ao ex-presidente.
A proximidade já produziu outras situações controversas. Em 2025, Scheid apareceu acompanhando Jair Bolsonaro com um distintivo de “agente de segurança”, embora não seja policial nem agente de segurança. Ele admitiu à Folha que o objeto facilitava sua circulação e ajudava a evitar “embaraços” em eventos e deslocamentos, mas negou que pretendesse se passar por policial.
O histórico também inclui problemas financeiros que vieram a público durante a eleição de 2022. Naquele ano, levantamento do Metrópoles com dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apontou que Scheid tinha R$ 482,1 mil inscritos em dívida ativa da União, divididos em dois débitos tributários. O dado é daquele período e não permite afirmar que a dívida permaneça pendente atualmente. À época, Scheid já atuava na busca de doações para a campanha de Jair Bolsonaro entre empresários e produtores rurais.