PSOL e Rede articulam pedido de impeachment de Mendonça: “Novo Sergio Moro”

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

O presidente nacional da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou que iniciou consultas a outros partidos de esquerda para formular um pedido coletivo de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A articulação ocorre após a decisão do magistrado que afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Medeiros, que também é candidato a deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026, anunciou a iniciativa nas redes sociais. “Como presidente da federação PSOL-Rede estou iniciando uma consulta aos demais partidos da esquerda sobre um pedido coletivo de impeachment de André Mendonça”, escreveu.

Na publicação, o dirigente associou Mendonça ao ex-juiz e senador Sergio Moro (União-PR). “Mendonça é novo Sergio Moro: passa de todos os limites das suas atribuições, faz política com decisões judiciais e blinda seus aliados”, afirmou Medeiros.

Ele também afirmou que o magistrado tenta interferir no processo eleitoral e citou a proximidade de Mendonça com a família Bolsonaro. “É evidente que o aliado dos Bolsonaro vai fazer de tudo pra recolocar o seu grupo político no poder, custe o que custar. Precisamos impedi-lo”, prosseguiu.

Decisões de Mendonça ampliaram tensão entre STF e Polícia Federal

A crise ganhou na Corte força em 1º de setembro de 2026, quando Mendonça, relator do caso Banco Master, retirou o sigilo de um relatório de inteligência da Polícia Federal. O documento trouxe mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

As conversas ocorreram às vésperas da prisão de Vorcaro. Após a divulgação do relatório, Moraes abriu uma frente de apuração no Inquérito das Fake News para investigar possíveis irregularidades na conduta de Mendonça.

Nesta terça (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O ministro alegou que a Polícia Federal produziu e compartilhou relatórios para analisar a atuação funcional de integrantes do Supremo.

Mendonça também proibiu a Polícia Federal de produzir ou compartilhar relatórios de inteligência direcionados a investigações sobre ministros da Corte. A Segunda Turma do STF iniciou julgamento virtual sobre os afastamentos, com votos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux pela manutenção da medida, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a conclusão do caso.

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