
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura denúncias de assédio e intimidação contra um político radicado em Brasília que questionou cartas atribuídas à médium Maira Rocha. Ele registrou um boletim de ocorrência após receber mensagens em redes sociais, WhatsApp, e-mail e ligações telefônicas. Com informações da Metrópoles.
O caso tramita na 11ª Delegacia de Polícia, no Núcleo Bandeirante. A vítima entregou aos investigadores capturas de tela das conversas e o histórico de chamadas, que poderão ajudar na identificação dos perfis e números usados nos contatos.
As mensagens começaram após a divulgação do relato do político, que afirmou ter recebido uma carta atribuída à mãe morta e passou a contestar sua autenticidade. Em uma das mensagens enviadas pelo Instagram, um perfil o acusou de “propagando mentiras” e de ajudar a disseminar “notícias mentirosas”.
Outra abordagem cobrou que ele divulgasse a carta completa e o chamou de “covarde”. No registro policial, o homem relatou que a frequência dos contatos e o teor das acusações o deixaram acuado; a investigação deve avaliar se houve crime, incluindo eventual perseguição, conhecida como stalking.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também instaurou uma Notícia de Fato depois de receber denúncias contra Maíra Alexandrina, nome civil de Maira Rocha. Uma Promotoria de Justiça Criminal analisa o material apresentado à Ouvidoria do órgão.
Paralelamente, a PCDF conduz um inquérito sobre fatos que teriam ocorrido em 2019 e cujos registros formais foram feitos no segundo semestre de 2025. A polícia busca definir o alcance das condutas investigadas e verificar possíveis responsabilidades penais.
Ex-frequentadores da Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras, disseram que informações presentes nas cartas poderiam ter sido obtidas em perfis públicos de familiares nas redes sociais. Eles alegam que apelidos e dados pessoais publicados no Instagram e no Facebook apareciam nos textos, acusação que ainda é objeto de apuração.
No site da Casa de Caridade Inácio Daniel, a instituição afirma que o atendimento é gratuito e não oferece garantias. A entidade informa que familiares deixam o nome da pessoa morta em um livro na recepção e que “o telefone só toca de lá para cá”.
Maira Rocha respondeu às tentativas de contato afirmando que não deseja manter interlocução com a imprensa. Ela declarou que questões entre as partes serão tratadas “exclusivamente na Justiça” e acusou as publicações sobre o caso de distorcer fatos, veicular informações inverídicas e causar danos à sua honra e imagem.
Estelionato
A Polícia Civil do Distrito Federal também instaurou um inquérito para apurar denúncias de estelionato contra Maira Rocha. Ex-frequentadores da Casa de Caridade Inácio Daniel afirmam que a médium teria produzido cartas apresentadas como psicografadas com informações retiradas de redes sociais, boletins de ocorrência e outras fontes públicas. As denúncias também mencionam pedidos de doações e possível exploração emocional de pessoas enlutadas. Maira e a instituição negam as acusações e afirmam ser vítimas de perseguição e intolerância religiosa.