A extrema direita pode conquistar neste domingo (6) seu primeiro governo estadual na Alemanha desde a queda do nazismo. A Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as pesquisas na Saxônia-Anhalt, no leste do país, e pode eleger Ulrich Siegmund para chefiar o governo local.
A AfD aparece com 43% das intenções de voto. A União Democrata Cristã (CDU), que hoje governa o estado, tem 22%; Die Linke marca 12%; e o Partido Social-Democrata (SPD), 7%.
A eleição escolhe os deputados do Parlamento estadual. Depois, quem reúne mais da metade das cadeiras indica o ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador. Se a AfD obtiver essa maioria, não precisará de aliados para formar governo.
Na Saxônia-Anhalt, só entram na divisão das cadeiras os partidos que alcançam ao menos 5% dos votos. FDP e BSW estão abaixo dessa marca. Os Verdes aparecem justamente com 5%.
Se os Verdes não superarem a cláusula de barreira, seus votos ficam fora da conta para a distribuição das vagas.
Nesse caso, os 43% projetados para a AfD podem render mais de metade do Parlamento. É essa possibilidade que coloca a extrema direita perto de governar sozinha, mesmo sem receber a maioria dos votos válidos.
Os demais partidos alemães adotam um “cordão sanitário” contra a AfD — isto é, recusam alianças e cargos compartilhados com a extrema direita para isolá-la politicamente e impedir sua chegada ao poder.
A CDU, porém, também descarta compor com o Die Linke, partido de esquerda que tem 12% das intenções de voto na Saxônia-Anhalt.
A posição do chanceler Friedrich Merz dificulta a formação de uma maioria alternativa à AfD. Sem acordo entre CDU, Die Linke e outras forças, resta à centro-direita tentar manter um governo minoritário, dependente de apoio pontual no Parlamento.
Siegmund procura se apresentar como um político comum, distante da imagem mais agressiva de outros dirigentes da AfD.
O programa que defende, no entanto, prevê deportações em massa de imigrantes em situação irregular, restrições a estrangeiros no sistema de saúde e ofensivas sobre a educação e os direitos LGBTQIA+.
Entre as propostas estão a criação de 300 vagas de detenção para pessoas deportadas e a transformação de um centro de acolhimento de refugiados em Stendal em unidade de detenção.
O candidato também propõe permitir o ensino domiciliar e alterar regras de escolha de juízes e magistrados. Especialistas ouvidos pela imprensa alemã avaliam que parte dessas medidas entra em choque com a legislação federal.
A seção da AfD na Saxônia-Anhalt é classificada de forma definitiva como extremista pelo serviço de inteligência interno alemão. Integrantes do diretório estadual são investigados por discurso de ódio, referências nazistas e desrespeito à Constituição.
A possível vitória também levou autoridades alemãs a discutir limites para um eventual governo da AfD.
Entre as medidas em análise está restringir o compartilhamento de informações sigilosas de inteligência e segurança com a administração estadual. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, já afirmou que não repassaria dados sensíveis a um governo do partido.