
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A decisão amplia a campanha no bloco FZA-M-59 para quatro perfurações e marca uma nova etapa da busca por petróleo na Margem Equatorial.
A licença de operação nº 1684 passou a incluir os poços Manga, Crotalus e Morpho Extensão, além da conclusão do poço Morpho, cuja perfuração já está em andamento. A autorização não confirma descoberta de petróleo nem viabilidade comercial na área.
A Petrobras deve entregar ao Ibama, em até 30 dias, um plano atualizado para a continuidade das atividades exploratórias. O órgão ambiental também condicionou a campanha a inspeções prévias das sondas, à proibição de descarte de resíduos no mar e à manutenção de estruturas de atendimento à fauna.
Com a ampliação, a estatal deixa a previsão inicial de uma perfuração isolada e passa a conduzir uma campanha de quatro poços. Documentos administrativos apontam atividades previstas até 2029.

MPF cobra explicações sobre duração da campanha
O Ministério Público Federal (MPF) questionou divergências entre informações apresentadas pelo Ibama em audiência e os documentos do licenciamento. Em abril de 2025, representantes do órgão disseram que a atividade seria pontual e teria duração aproximada de seis meses.
Para o MPF, os documentos que preveem quatro poços e atividades até 2029 indicam uma operação mais extensa do que a descrita na audiência. O órgão afirma que a diferença dificulta a avaliação pública dos impactos ambientais do projeto.
O Ministério Público alertou para possíveis efeitos acumulados sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e comunidades tradicionais da região. A Foz do Amazonas concentra ecossistemas sensíveis e está no centro de disputas sobre a expansão da exploração petrolífera na Margem Equatorial.
A Petrobras informou que planejará as próximas ações exploratórias após a ampliação da licença. Se os resultados dos poços indicarem viabilidade comercial, a companhia estima que a produção poderá começar em até sete anos.