
O nome do ex-jogador argentino Sergio “Kun” Agüero aparece em chats, áudios e documentos recolhidos em uma investigação sobre uma organização acusada de narcotráfico internacional e lavagem de dinheiro na Argentina. Agüero não responde como investigado nem foi imputado no processo conduzido pela Justiça do país.
As referências ao ídolo de Independiente, Manchester City e da seleção argentina tratam de negociações comerciais que integrantes do grupo tentaram realizar usando a marca KRÜ, fundada pelo ex-atacante e voltada ao universo dos esportes eletrônicos.
A investigação levou à prisão de Pablo “Bebote” Álvarez, histórico líder da barra brava do Independiente, na semana passada. O processo está sob responsabilidade do juiz Pablo Yadarola.
O grupo é acusado de atuar no tráfico de drogas sintéticas vindas da Espanha e na entrada de cocaína proveniente da Bolívia. Também são investigados Diego Francisco Anzalone, Bono Uziel De Carlucci e Raúl Omar “Bruja” Manzone.
Conversas citam projeto de plataforma KRÜ Tickets

Os investigadores apontam que empresas ligadas ao grupo ajudavam a misturar recursos do tráfico a receitas aparentemente lícitas, entre elas valores da venda de ingressos para partidas de futebol. Esse ramo de negócios levou os suspeitos a discutirem uma possível parceria com a KRÜ.
Documentos obtidos pelo jornal argentino “La Política Online” indicam que a organização pretendia criar uma plataforma chamada “KRÜ Tickets”. A ideia era explorar a projeção internacional da marca associada a Agüero para operar no mercado de ingressos.
Uma mensagem atribuída a Anzalone, datada de 30 de janeiro de 2026, dizia que o grupo buscava fechar um acordo com “Kun” para o projeto. Em março, outras conversas abordaram a criação de uma sociedade e uma possível viagem ao México para avançar nas tratativas.
Em mensagem de 22 de abril, Anzalone afirmou ter saído de uma reunião presencial com Agüero e disse que o acordo estaria acertado. Em junho, a investigação encontrou o arquivo “guion_kru_tickets.pdf”, com orientações para um suposto vídeo promocional, além de áudios sobre integração tecnológica, conversas salvas como “Sergio Kun” e imagens de identidade visual para a plataforma.