Plano da extrema direita de Israel busca retirar palestinos de Gaza

O ministro da Segurança Nacional de Israel e líder do partido de extrema direita Poder Judaico, Itamar Ben-Gvir, apresentou um plano para promover a saída de praticamente toda a população palestina da Faixa de Gaza. A proposta prevê a transferência de 250 mil pessoas no primeiro ano e de cerca de 1,86 milhão ao longo de sete anos.

Segundo Ben-Gvir, o projeto é “realista” e “concreto” e foi elaborado ao longo de um ano e meio de trabalho. A proposta, apresentada em um documento de 20 páginas, recebe o nome de “Plano Nacional de Trabalho para a Emigração Voluntária da Faixa de Gaza”.

Apesar do uso do termo “voluntária”, a proposta prevê a remoção de uma população submetida a condições extremas de sobrevivência e sob ocupação militar israelense. A transferência forçada de civis de um território ocupado é proibida pelo direito internacional humanitário e pode constituir crime de guerra.

Ben-Gvir afirmou que há países dispostos a receber palestinos de Gaza, mas não identificou quais seriam esses Estados. O plano também prevê a criação de um ministério específico para tratar da chamada emigração, caso o partido Poder Judaico participe do próximo governo.

O partido pretende transformar a proposta em uma de suas principais bandeiras eleitorais e apresentá-la como condição para integrar a próxima coalizão governamental.

“Emigração voluntária” como política de Estado

Como explica o jornal britânico The Guardian, a escolha do termo “voluntária” é central para a estratégia apresentada pelo governo israelense e seus aliados de extrema direita.

Na prática, porém, o plano de Ben-Gvir estabelece metas numéricas para a retirada da população palestina e cria uma estrutura estatal destinada a viabilizá-la. O projeto “Disengagement 710”, como também é denominado pelo Poder Judaico, prevê a saída de 250 mil palestinos no primeiro ano, 1,11 milhão em três anos e aproximadamente 1,86 milhão em sete anos.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, o partido calcula inicialmente um investimento israelense de cerca de 10 bilhões de shekels, equivalente a aproximadamente US$ 3 bilhões, podendo chegar a 50 bilhões de shekels em recursos combinados com financiamento internacional.

O plano prevê investimentos públicos para criar rotas de saída, negociar acordos com países de destino e oferecer pacotes de assistência e absorção aos emigrantes. Entretanto, até o momento os israelenses não confirmaram quais países estariam dispostos a receber os palestinos que seriam transferidos de Gaza.

A iniciativa de Ben-Gvir não surge isoladamente: por um lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o governo buscava o apoio da administração de Donald Trump para promover o deslocamento de palestinos de Gaza.

Ao mesmo tempo, o plano surge às vésperas das eleições israelenses, previstas para outubro, e integra a campanha de Ben-Gvir para consolidar sua posição entre o eleitorado de extrema direita. O partido Poder Judaico pode conquistar aproximadamente sete cadeiras no Parlamento, e a proposta de retirada dos palestinos de Gaza seria uma de suas principais condições para participar do próximo governo.

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