
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acreditava ter construído “um sistema” para protegê-lo antes de ser preso, mas que a estrutura se voltou contra ele, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo. A defesa solicitou a oitiva sob a alegação de que o empresário sofria “graves intimidações”.
“Eu queria ter a oportunidade de falar, porque hoje eu sei por que tudo aconteceu. Porque eu estava com esse sistema ali, que eu achava que tinha construído um sistema para me proteger e, de repente, todo esse sistema se virou contra mim”, disse Vorcaro a um juiz auxiliar de Mendonça. O depoimento ocorreu sem a presença da Polícia Federal.
Vorcaro também afirmou que sua mãe e sua irmã receberam “inúmeras ameaças de morte” por e-mails anônimos, mas não entregou as mensagens nem apresentou provas. Na noite desta quarta (2), a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento da denúncia.
O banqueiro declarou que “existem pessoas no núcleo do poder” interessadas em impedir uma colaboração premiada, sem apontar nomes. Preso pela segunda vez em março de 2026, ele continuou sem admitir crimes. A PF e a PGR rejeitaram duas propostas anteriores porque investigadores avaliaram que ele tentava preservar pessoas e omitir informações relevantes.

Mensagens revelam pedidos de ajuda a Alexandre de Moraes
Nesta terça (1º), André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF produzido a partir do celular de Vorcaro. O documento detalha conversas nas quais o banqueiro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a proteção de “Andrei e Paulo”, referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Uma semana antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025, Vorcaro escreveu a Moraes: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Em outra mensagem, questionou: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando ele tentava embarcar em um jato particular para Dubai, com escala em Malta. Dois dias antes, ele perguntou a Moraes se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sabia da operação e se deveria deixar o país: “O Galípolo está sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda-feira (17/11) já tenho que estar fora?”.
Preso na Papudinha, Vorcaro alegou “retaliação” do Banco Central, “ataque maciço” e “perseguição econômica”. “Eu cometi erros, mas não são esses que estão sendo expostos aí na mídia”, afirmou. O banqueiro também disse que sua família está “sem homens” porque seu pai, Henrique Vorcaro, seu primo Felipe e seu cunhado, Fabiano Zettel, estão presos.