Quaest: Lula mantém liderança no primeiro turno, mas disputa com Flávio Bolsonaro fica no limite do empate técnico

Da Redação

Presidente aparece com 37% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro e 10% de Augusto Cury no principal cenário de primeiro turno. Num eventual confronto direto, Lula registra 42% e Flávio 41%, diferença de apenas um ponto percentual e, portanto, dentro da margem de erro. Levantamento também confirma Cury como novo elemento da disputa e mostra 42% de indecisos na pesquisa espontânea.

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira confirma Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da corrida presidencial no primeiro turno, mas revela uma disputa muito mais apertada quando o cenário é reduzido a um confronto direto com Flávio Bolsonaro. No principal quadro estimulado testado pelo instituto, Lula tem 37% das intenções de voto, Flávio aparece com 29% e Augusto Cury alcança 10%, consolidando-se como o terceiro nome mais citado entre os candidatos apresentados aos entrevistados.

A vantagem de oito pontos de Lula sobre Flávio no primeiro turno é expressiva no retrato atual, especialmente porque nenhum dos demais concorrentes consegue se aproximar dos dois primeiros colocados. Renan Santos aparece com 3%, enquanto Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Samara Martins registram 1% cada. Outros candidatos apresentados no levantamento não ultrapassam 0% quando considerados os números inteiros divulgados pela pesquisa. Os indecisos chegam a 11%, enquanto 7% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.

O dado que impede qualquer leitura confortável da liderança de Lula, entretanto, aparece no segundo turno. Num confronto direto entre o presidente e Flávio Bolsonaro, Lula tem 42% e Flávio, 41%. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, existe empate técnico entre os dois. Branco, nulo ou eleitores que dizem não pretender votar representam 13%, enquanto 4% permanecem indecisos.

A diferença numérica entre os dois diminuiu em relação à rodada anterior da própria Quaest. Em meados de agosto, Lula aparecia com 43% e Flávio com 40% numa simulação equivalente de segundo turno. Agora, o presidente recua numericamente um ponto e Flávio avança um, reduzindo a distância de três para apenas um ponto percentual. As variações isoladamente estão dentro da margem de erro e, portanto, não permitem afirmar estatisticamente que houve uma mudança efetiva no eleitorado entre as duas pesquisas. O que pode ser dito é que as duas rodadas apresentam uma disputa muito equilibrada, com a medição mais recente produzindo diferença ainda menor entre os candidatos.

Esse cuidado metodológico é fundamental. Uma pesquisa eleitoral não é uma previsão do resultado das urnas, mas uma fotografia do eleitorado no período em que as entrevistas foram realizadas. Quando dois candidatos aparecem separados por apenas um ponto em um levantamento com margem de erro de dois pontos, a ordem numérica não autoriza concluir que um deles esteja efetivamente vencendo o outro. Lula está numericamente à frente, mas Lula e Flávio estão tecnicamente empatados.

Cury chega a 10% e altera a composição do primeiro turno

A principal novidade política da pesquisa está fora da polarização entre Lula e Flávio. Augusto Cury, candidato do Avante, aparece com 10% e abre distância considerável dos demais concorrentes que tentam construir uma terceira alternativa. O resultado da Quaest acompanha um movimento que já vinha aparecendo em pesquisas recentes de outros institutos e coloca Cury em uma posição distinta daquela ocupada por Caiado, Zema e Renan Santos nesta rodada.

A dimensão desse eleitorado aparece também no teste de segundo turno realizado pela primeira vez pela Quaest entre Lula e Cury. Nesse confronto, o presidente registra 40%, contra 34% do candidato do Avante. Há ainda 21% de branco, nulo ou que não votariam e 5% de indecisos. A diferença é maior do que aquela observada entre Lula e Flávio, embora o elevado contingente que rejeita os dois nomes mostre que esse cenário ainda possui uma parcela considerável do eleitorado sem adesão a nenhuma das opções apresentadas.

Nos demais confrontos diretos, Lula aparece numericamente à frente. Contra Ronaldo Caiado, são 42% a 37%; diante de Renan Santos, 43% a 36%; e contra Romeu Zema, 44% a 33%. Em todos esses casos a distância entre Lula e o adversário é maior do que no confronto com Flávio Bolsonaro, que permanece, portanto, como a simulação mais apertada entre as cinco realizadas pela Quaest.

O levantamento também testou um segundo cenário de primeiro turno com Pablo Marçal. Nesse quadro, Lula permanece com 37%, Flávio chega a 30% e Cury continua com 10%. Renan Santos registra 3%, enquanto Caiado, Marçal e Zema aparecem com 1% cada. A situação eleitoral de Marçal ainda depende de definição da Justiça Eleitoral, razão pela qual a Quaest apresentou cenários com e sem seu nome.

A existência desses dois cenários traz uma cautela importante para qualquer tentativa de estabelecer tendência em relação à rodada anterior. A própria Quaest advertiu que os números atuais do primeiro turno não devem ser comparados diretamente com os divulgados em 14 de agosto, porque houve alteração na lista de candidatos testados: naquela pesquisa, o nome apresentado pelo PRTB era Leonardo Avalanche, antes da mudança envolvendo Pablo Marçal.

Isso significa que seria metodologicamente inadequado atribuir automaticamente eventuais diferenças entre uma rodada e outra a crescimento ou queda de determinado candidato quando a própria pergunta apresentada aos entrevistados mudou.

Espontânea mostra eleição ainda longe de estar completamente cristalizada

Outro dado importante aparece quando os pesquisadores retiram a lista de candidatos e perguntam espontaneamente em quem o eleitor pretende votar. Lula é citado por 28%, Flávio Bolsonaro por 20% e Augusto Cury por 4%. Outros nomes somados chegam a 4%, enquanto apenas 2% indicam branco, nulo ou que não pretendem votar.

O número mais expressivo dessa parte da pesquisa, porém, é outro: 42% não sabem espontaneamente em quem votar.

A diferença entre pesquisa estimulada e espontânea ajuda a medir o grau de consolidação das candidaturas. Quando o entrevistador apresenta uma lista, Lula alcança 37% e Flávio chega a 29%. Sem a lista, ambos perdem percentual e o contingente de indecisos cresce de forma muito acentuada. Isso indica que uma parcela relevante do eleitorado reconhece os candidatos e escolhe uma opção quando provocada, mas ainda não transformou necessariamente essa preferência em decisão espontânea consolidada.

Esse eleitorado pode se tornar particularmente importante durante a campanha propriamente dita. Debates, propaganda eleitoral, acontecimentos econômicos, investigações, alianças partidárias e o desempenho dos candidatos ao longo das próximas semanas ainda podem modificar escolhas que hoje aparecem menos cristalizadas. Essa possibilidade é especialmente relevante diante de uma disputa de segundo turno em que apenas um ponto percentual separa numericamente Lula e Flávio.

A pesquisa atual também deve ser observada ao lado de outros levantamentos recentes, que vêm apresentando diferenças variadas no primeiro turno, mas convergem com frequência para um quadro mais apertado quando Lula e Flávio são colocados frente a frente. No PoderData divulgado no fim de agosto, por exemplo, Lula tinha 45% e Flávio 44% no segundo turno; levantamento BTG/Nexus apresentava 46% a 45%. São pesquisas produzidas com metodologias diferentes e não devem ser tratadas como se formassem uma única série estatística, mas ajudam a mostrar que diferentes institutos vêm encontrando uma disputa competitiva entre os dois principais candidatos.

A Quaest oferece, contudo, uma fotografia particularmente interessante da estrutura atual da eleição. Lula mantém uma liderança clara no principal cenário de primeiro turno, Flávio permanece isolado na segunda posição e Cury abre espaço próprio em terceiro. Quando a disputa se transforma num confronto direto entre os dois primeiros, porém, a distância praticamente desaparece.

Esse contraste é central. Oito pontos separam Lula e Flávio no cenário estimulado sem Marçal, mas somente um ponto os separa numa eventual segunda rodada. Parte dos eleitores que hoje prefere candidatos alternativos, votaria em branco ou se declara indecisa precisaria se reposicionar caso a eleição terminasse novamente organizada em torno dos dois grandes campos políticos que dominam a disputa nacional.

É justamente essa transferência de votos que nenhuma pesquisa de primeiro turno consegue antecipar completamente. O crescimento de uma terceira candidatura como a de Augusto Cury, portanto, não afeta apenas a matemática da primeira rodada. Ele também cria um eleitorado que poderá tornar-se decisivo na etapa seguinte da eleição, caso nenhum candidato alcance maioria absoluta dos votos válidos.

A Quaest entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, presencialmente, em todo o país entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.

O retrato produzido pela pesquisa, portanto, combina duas realidades. Lula entra na reta seguinte da campanha ocupando a primeira posição e com vantagem importante no primeiro turno. Mas a simulação decisiva contra Flávio Bolsonaro mostra uma eleição inteiramente aberta: 42% a 41% não é uma vantagem estatisticamente estabelecida, mas um empate técnico que coloca os dois candidatos praticamente lado a lado.

E talvez seja justamente essa diferença entre o primeiro e o segundo turno o dado politicamente mais relevante da nova Quaest. A liderança de Lula permanece. A definição da eleição, entretanto, está longe de estar assegurada.

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