A sabotagem contra o Brasil virou prioridade para o bolsonarismo. Depois de articular o tarifaço dos Estados Unidos, para prejudicar a economia e as exportações brasileiras, agora o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), articula uma campanha que se opõe ao projeto que coloca fim à escala 6×1.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a escala 5×2 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais deverá ser votada no Senado esta semana. Flávio, que é senador, pausou sua campanha presidencial para ficar em Brasília (DF), nesta terça-feira (1), e tentar boicotar o avanço da proposta, que tem grande apelo popular e conta com o apoio dos líderes do Congresso Nacional, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Enquanto Flávio tenta embolar o tema no Senado, o movimento sindical está presente durante toda a semana no Congresso Nacional, se reunindo com lideranças pela aprovação da proposta que põe fim à escala 6×1.
A campanha do senador deve retomar as atividades na quarta-feira (2), no Rio Grande do Sul, portanto ele não deverá participar das votações. Como a medida é apoiada pela grande maioria da população, Flávio não deve manifestar uma posição forte contra o tema, porém não pode se isentar, uma vez que os empresários de extrema direita que o apoiam são contra a medida.
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No entanto, por mais que o senador tente tergiversar sobre o tema ao dizer ser contra a proposta na frente dos empresários e desconversar na frente dos trabalhadores, indicando somente a possibilidade de flexibilização das horas de trabalho (sem de fato colocar fim à escala 6×1), é de conhecimento público que o PL (Partido Liberal), que reúne o campo bolsonarista, tem se movimentado para impedir que o Senado aprove a PEC.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), deverá utilizar instrumentos regimentais da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a proposta se encontra, para impedir que a PEC seja votada, pois, se aprovada, irá para o plenário do Senado e a pressão popular deverá ser determinante para que os parlamentares aprovem o texto, sob o risco de ficarem marcados publicamente como traidores da população há um mês das eleições, o que, para muitos, pode ser um suicídio eleitoral. Dessa forma, Marinho quer apenas tentar adiar a votação para que fique para depois das eleições, na esperança de que o governo Lula não tenha essa vitória agora.
Taxa das blusinhas
A permanência em Brasília também permite a Flávio acompanhar a análise da Medida Provisória do governo Lula que visa acabar com a “taxa das blusinhas”. O tema, no entanto, também é contraditório para o senador. Embora não deva participar da votação, Flávio tampouco deve se engajar em uma articulação para derrubar a MP, já que sua perda de validade faria voltar a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
Caso a campanha bolsonarista se engaje pela derrubada da medida, deixará ainda mais evidente seu posicionamento contrário aos interesses da população, que anseia pelo fim da taxa. A medida precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro.