
A campanha do presidente Lula (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu direito de resposta por oito declarações feitas por Flávio Bolsonaro (PL) durante a sabatina da TV Globo na última sexta-feira (28). A coligação Brasil Pronto Pra Mais sustenta que o candidato apresentou informações “falsas e gravemente descontextualizadas” sobre temas relacionados à eleição e ao governo.
A representação questiona declarações sobre as urnas eletrônicas, o Pix, os atos golpistas de 8 de Janeiro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o salário mínimo, a homenagem ao ex-policial Adriano da Nóbrega, a relação de Flávio com Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Em um dos trechos, Flávio responsabilizou Lula pelo tarifaço e afirmou que o governo brasileiro não havia enviado representantes para negociar com os Estados Unidos. A campanha rebate a declaração citando as tratativas conduzidas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e por integrantes do governo com representantes da administração Donald Trump.
Os advogados também contestam a afirmação de que o salário mínimo teria perdido poder de compra durante o atual mandato. Segundo a campanha, a política adotada pelo governo voltou a prever reajustes acima da inflação. A petição pede que a Justiça Eleitoral analise a declaração no contexto dos dados utilizados pelo candidato durante a entrevista.
🚨 Flávio Bolsonaro esquiva de pergunta sobre Tarifaço, e âncoras da Globo dão xeque-mate perguntando sobre Eduardo. pic.twitter.com/GGhAt2nzTX
— deok (@lauricadeok) August 29, 2026
Outro bloco da ação envolve o Pix e as urnas eletrônicas. Flávio atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro a criação do sistema de pagamentos e retomou durante a entrevista o episódio em que havia afirmado que urnas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana. Na própria sabatina, o candidato reconheceu que essa informação sobre as urnas estava errada.
A campanha ainda questiona versões apresentadas por Flávio sobre a tentativa de golpe e o 8 de Janeiro, Adriano da Nóbrega e sua relação com Daniel Vorcaro. Também contesta afirmações feitas durante as respostas sobre os recursos destinados à produção de “Dark Horse”. A ação apresenta esses episódios como declarações que deveriam dar origem a direito de resposta; o TSE ainda não decidiu se alguma delas atende aos requisitos previstos pela legislação eleitoral.
O pedido é para que, caso concedida, a resposta seja veiculada preferencialmente no mesmo programa jornalístico e em até 48 horas após a decisão, com duração de pelo menos o dobro do trecho considerado ofensivo ou sabidamente inverídico.