
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, utilizou redes sociais para fazer campanha antes de informar esses endereços à Justiça Eleitoral. Ele apresentou seu pedido de registro de candidatura em 7 de agosto, mas somente em 26 de agosto solicitou a inclusão do YouTube, do Kwai e de seu site oficial, um intervalo de 19 dias. Mesmo nesse período, o parlamentar continuou publicando conteúdo eleitoral, inclusive vídeos diários no YouTube.
A situação encontra uma restrição expressa nas regras das eleições de 2026. A Resolução 23.755 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que endereços eletrônicos preexistentes que não tenham sido informados no requerimento de registro de candidatura só podem passar a ser usados em campanha 48 horas depois de registrados na Justiça Eleitoral. A exigência ganhou peso porque as plataformas devem retirar os perfis oficiais dos candidatos de determinados mecanismos de recomendação, evitando que o algoritmo amplie organicamente sua exposição para usuários que não os acompanham.
Nikolas não é o único nome ligado à direita com inconsistências desse tipo. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), candidato à reeleição na chapa de Tarcísio de Freitas, aparecia sem nenhuma rede social declarada à Justiça Eleitoral, apesar de manter contas ativas. A assessoria atribuiu o problema a uma falha da equipe jurídica e afirmou que providenciou a inclusão dos perfis.
O deputado Coronel Tadeu (PRD), candidato a uma vaga na Câmara, informou apenas sua conta no Instagram, embora também utilizasse X, TikTok, YouTube e Facebopl. André do Prado (PL), candidato ao Senado por São Paulo, tinha no cadastro eleitoral endereços do X e do TikTok diferentes dos perfis efetivamente utilizados. Segundo ele, os nomes de usuário foram modificados posteriormente e a correção já havia sido encaminhada à Justiça.

Também aparecem entre os casos identificados ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, e Danilo Balas (PL), candidato à Assembleia Legislativa de São Paulo. ACM Neto declarou no X um nome de usuário antigo; sua campanha reconheceu o erro e informou que pediu a atualização ao TRE da Bahia em 19 de agosto. Danilo Balas declarou um endereço do X com erro de digitação e protocolou a retificação depois de ser questionado pela reportagem.
A falha é especialmente relevante porque já provocou sanções severas nesta eleição. O presidenciável Renan Santos (Missão) incluiu 16 perfis somente 12 dias depois de registrar sua chapa. O ministro Dias Toffoli entendeu que a demora poderia produzir vantagem de exposição algorítmica e suspendeu a propaganda digital da campanha, sua participação em debates e repasses do fundo eleitoral.
Outro presidenciável atingido foi Wilson Grassi, do Democrata. Toffoli aplicou medidas semelhantes depois de identificar perfis comunicados fora do prazo, incluindo uma conta com 156 mil seguidores usada para propaganda eleitoral. O caso mostra que a consequência jurídica não é automática para toda inconsistência: depende da situação examinada pela Justiça Eleitoral e das medidas requeridas ou adotadas no processo específico.
O problema também aparece de forma disseminada no Missão. Levantamento do Metrópoles encontrou 125 registros em São Paulo nos quais candidatos informaram arrobas em vez do endereço completo da plataforma, com predominância de nomes do partido. Em uma checagem por amostragem, cerca de metade dos candidatos do Missão analisados tinha esse tipo de informação incompleta.