
Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL
Augusto Cury (Avante) passou de 2% para 11% nas intenções de voto para presidente na comparação entre 24 e 31 de agosto, segundo pesquisa BTG/Nexus. Lula oscilou de 41% para 39% e Flávio Bolsonaro, caiu de 37% para 33%. Ou seja, o escritor de livros de autoajuda e empresário cresceu roubando voto. Ele conta com a ajuda do ex-coach Pablo Marçal (PRTB ou União Brasil, o TSE ainda vai decidir).
Na pesquisa espontânea, quando não são oferecidas opções de candidatos, Cury foi de menos de 1% para 8%, enquanto Lula oscilou de 38% para 37% e Flávio, de 31% para 30%. A margem é de dois pontos.
Vídeos sobre Cury inundaram as redes sociais e aplicativos de mensagens nos últimos dias com o mesmo estilo e linguagem daqueles produzidos por seguidores de Marçal. Isso levantou suspeitas entre os adversários de atuação não orgânica, remunerada e ilegal para inflá-lo no primeiro turno. E, se não passar adiante, transferir os votos no segundo, através de declaração de apoio, para Flávio. A campanha do escritor de autoajuda e empresário nega, claro.
O perfil do seu eleitorado dá algumas pistas sobre o crescimento. Dados da BTG/Nexus apontam que Cury tem 22% dos votos na faixa entre 16 e 24 anos, aquela em que estão muitos dos seguidores de Pablo Marçal.
Renan Santos (Missão), que vinha pontuando bem nesse grupo e havia marcado 10% na semana passada, passou para 7%.
Já entre quem tem 60 anos ou mais, ele marca 4%. Cury alcança 17% entre quem tem ensino superior e apenas 3% junto a quem possui apenas o fundamental.

De acordo com a pesquisa, enquanto Lula tem 33% dos votos dos não polarizados, decisivos na eleição, e Flávio, 21%, Cury marca 19%. Ronaldo Caiado (6%), Renan Santos (4%) e Romeu Zema (3%) vêm bem atrás nesse grupo. Entre o eleitorado que se diz anti-Lula e anti-Bolsonaro, Cury tem 19%.
Junto àqueles eleitores que veem Lula como alternativa para que um outro não vença, Cury tem 14%. E, entre os que veem Flávio como essa alternativa, 26%. Aliás, o voto de Cury é um pouco mais bolsonarista que lulista, tendo 7% dos que votaram em Lula em 2022 e 13% dos que foram com Jair Bolsonaro.
Caso os números se confirmarem, o posto de novidade da eleição vai passar de Renan para Cury, mostrando que não importa a falta de propostas e de conhecimento sobre a realidade do país (quem assistiu à sabatina do Jornal Nacional sentiu vergonha alheia). O que faz a diferença é a capacidade de ocupar as telas e a atenção.
O crescimento de Cury entre os que rejeitam Lula e Bolsonaro mostra que há um eleitorado procurando uma saída. Mas será forçar a barra chama-lo de “terceira via” se o perfil que aderir a ele seguir a mesma lógica dos eleitores de Flavio, Renan, Caiado e Zema.
Se a aposta de Marçal é transformar o escritor em escala de voo antes de chegar ao destino final bolsonarista, convém lembrar que eleitor não é encomenda com endereço de entrega. Uma coisa é a intenção, outra é o resultado. E a campanha do escritor precisa tomar cuidado para ele não ter o mesmo fim que o ex-coach, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral por abusar do poder econômico na produção dos vídeos que o catapultaram nas redes sociais.