
A China colocou em marcha um plano de US$ 20 bilhões para expandir a inteligência artificial e a robótica, com escolas técnicas voltadas à formação de engenheiros e fábricas cada vez mais automatizadas. A estratégia do governo de Xi Jinping busca colocar o país na liderança tecnológica e ampliar a disputa industrial com os Estados Unidos. Com informações da BBC.
No Instituto Técnico de Hangzhou, estudantes universitários programam robôs industriais e desenvolvem instrumentos médicos robóticos. O professor Chen Tianyu, de 28 anos, diz que acompanha a transformação das fábricas para definir o conteúdo das aulas e alerta os alunos: “Se o mundo da IA e da robótica não precisar de você, certamente você estará entre os que serão descartados”.
O país já reúne mais de 2 milhões de robôs em operação nas fábricas, mais do que qualquer outro lugar do mundo. Mais da metade dos robôs industriais produzidos globalmente sai da China, que concentra uma ampla cadeia de motores, baterias, sensores, eletrônicos e engrenagens necessários para montar essas máquinas.
Em Chengdu, a CRP Technology fabrica braços robóticos para montadoras, empresas de eletrônicos e fabricantes de turbinas eólicas. A companhia, que emprega 300 pessoas, afirma que cada braço pode executar mais de 90% das tarefas repetitivas depois de programado para as necessidades de uma linha de produção.

A CRP também desenvolve um protótipo pensado para ajudar a produzir outros robôs. Pang Kai, engenheiro de pesquisa e desenvolvimento da empresa, afirmou que a máquina ainda realiza movimentos simples, como ler códigos QR, mas a expectativa é ampliar suas funções. “Precisamos desse tipo de robô porque, em dez anos, talvez não tenhamos trabalhadores suficientes na China”, disse.
O envelhecimento demográfico acelera a corrida pela automação. Estimativas oficiais indicam que mais de um terço da população chinesa terá mais de 60 anos em 2035, enquanto projeções apontam uma redução de quase 60 milhões de habitantes na próxima década. Ao mesmo tempo, cerca de 120 milhões de pessoas ainda trabalham no setor manufatureiro do país.
Na fábrica da Leapmotor em Hangzhou, robôs participam de todas as etapas de montagem de veículos elétricos, embora centenas de trabalhadores ainda façam a inspeção final. Cao Li, vice-presidente da montadora, afirmou que as áreas de estampagem, soldagem e pintura já chegaram “praticamente [a] 100% de automação” e considerou possível substituir mais funções humanas em ritmo rápido.
Susanne Bieller, secretária-geral da Federação Internacional de Robótica, avalia que a China tem vantagem pela base industrial e pelo planejamento estatal, mas afirma que os Estados Unidos ainda lideram o desenvolvimento da IA que comanda os robôs. Escolas técnicas apostam na formação de jovens para esse mercado, em meio a uma taxa de desemprego que atinge um em cada cinco chineses jovens.