
A Justiça do Equador condenou o ex-presidente Lenín Moreno, de 73 anos, a cinco anos de prisão por aceitar subornos da empresa chinesa Sinohydro durante a construção da usina hidrelétrica Coca Codo Sinclair. A decisão saiu na sexta-feira (28).
Moreno cumprirá a pena em regime domiciliar por causa de uma deficiência física que o impede de andar. A Justiça também condenou como cúmplices sua mulher, Rocio Gonzalez Navas, uma filha e um cunhado.
Rocio Gonzalez Navas e a filha do ex-presidente receberam penas de dois anos e meio de prisão. Todos os condenados terão de devolver três vezes o valor obtido ilegalmente, em até 90 dias.
A promotoria afirmou que uma rede de corrupção atuou entre 2008 e 2018 e distribuiu a políticos propinas equivalentes a 4% do valor do projeto da hidrelétrica, por meio de transações no Equador e no exterior.

Obra custou US$ 2 bilhões e enfrenta críticas no Equador
A construção da Coca Codo Sinclair começou em 2010 e terminou em 2016, com custo divulgado de US$ 2 bilhões, cerca de R$ 10,39 bilhões. A infraestrutura passou a receber críticas por falhas desde a conclusão.
O caso investigado ocorreu quando Moreno era vice-presidente no primeiro mandato de Rafael Correa, que governou o Equador entre 2007 e 2017. Moreno assumiu a Presidência em 2017 e permaneceu no cargo até 2021.
Ele ganhou projeção política como vice de Correa e integrou o movimento de esquerda conhecido como correísmo. Com a nova sentença, Moreno se torna o terceiro ex-presidente equatoriano condenado por corrupção, depois de Jamil Mahuad e Correa.
Mahuad, presidente entre 1998 e 2000, recebeu em 2014 uma pena de oito anos por desvio de recursos públicos. Correa recebeu condenação de oito anos em 2020 por subornos ligados à Odebrecht, enquanto o ex-vice-presidente Jorge Glas também está preso por corrupção.
Traidor da esquerda
Lenín Moreno foi eleito presidente do Equador em 2017 como herdeiro político de Rafael Correa e candidato da Alianza PAIS, prometendo continuidade ao projeto da Revolução Cidadã, mas rompeu rapidamente com o correísmo após tomar posse. No governo, afastou antigos aliados, aproximou-se das elites empresariais e dos Estados Unidos, adotou uma agenda econômica de austeridade, firmou acordo com o FMI e desmontou parte das políticas e estruturas criadas nos anos anteriores.
A ruptura foi vista por setores da esquerda latino-americana como uma traição ao mandato recebido nas urnas, já que Moreno venceu apresentando-se como continuador de Correa e terminou governando em sentido oposto ao programa que o havia levado ao poder.