A fuga de Flávio Bolsonaro ao falar do Tarifaço no JN

Flávio Bolsonaro Jornal Nacional
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em sabatina do Jornal Nacional. Foto: Reprodução/Globo

Flávio Bolsonaro (PL) foi confrontado por Renata Vasconcellos, durante a sabatina da TV Globo nesta sexta-feira (28), sobre sua atuação nos Estados Unidos contra o tarifaço imposto ao Brasil e o papel do irmão Eduardo Bolsonaro nas articulações com o governo de Donald Trump. O candidato negou que Eduardo Bolsonaro seja responsável pela decisão estadunidense e afirmou que Trump “faz o que está na cabeça dele”.

Renata questionou então por que Flávio Bolsonaro havia solicitado ao governo dos Estados Unidos o adiamento da aplicação das tarifas em vez de exigir que a medida fosse definitivamente cancelada. “Mas adiar e não suspender”, repetiu a jornalista enquanto o candidato dizia ter pedido o cancelamento das taxas. “Eu pedi para cancelar as tarifas”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O documento citado por Renata foi apresentado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no início de julho. Nele, Flávio Bolsonaro propôs que a implementação das tarifas fosse suspensa por 180 dias enquanto negociações fossem realizadas. O texto também argumentava que aplicar as medidas antes da eleição brasileira poderia beneficiar politicamente Lula. O pedido empurrava a aplicação para depois da disputa eleitoral.

A resposta de Flávio Bolsonaro misturou etapas diferentes de sua atuação nos Estados Unidos. Embora o documento ao USTR não pedisse o cancelamento incondicional e definitivo naquele momento, o candidato passou posteriormente a defender publicamente o cancelamento das tarifas e havia encaminhado anteriormente outra manifestação a autoridades estadunidenses com posição contrária à taxação. Portanto, a cobrança de Renata dizia especificamente respeito ao conteúdo da manifestação apresentada no processo comercial do USTR.

Sobre Eduardo Bolsonaro, Flávio afirmou que o irmão atuava nos Estados Unidos para “defender a liberdade do povo brasileiro” e denunciar Alexandre de Moraes. Disse ainda que a decisão de aplicar tarifas foi exclusivamente do governo Trump e que Eduardo Bolsonaro “não tem nada a ver com isso”. O histórico da atuação do ex-deputado, entretanto, inclui articulações públicas junto a autoridades estadunidenses e episódios em que ele celebrou sanções impostas ao Brasil em disputas anteriores.

Flávio Bolsonaro também disse acreditar que uma eventual vitória sua poderia facilitar uma negociação direta com Trump para retirar tarifas e sanções contra empresas brasileiras. O argumento eleitoral já aparecia no documento enviado ao USTR: o candidato sustentava que uma mudança de governo poderia criar condições diferentes para a relação bilateral e pediu que Washington aguardasse antes de aplicar as novas medidas.

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