
Gerson Camarotti afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) demonstrou nervosismo durante a sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (28) e disse que o candidato tentou dar “um ar de veracidade àquilo que não é”. A avaliação foi feita na Central das Eleições, da GloboNews, logo após a entrevista. Natuza Nery concordou que o senador parecia mais tenso que o habitual.
“Conhecendo ele lá, vendo ele sempre no plenário, eu gosto de observar. Hoje ele estava nervoso”, afirmou Camarotti. Natuza acrescentou que Flávio Bolsonaro “costuma ser mais soltinho”. O comentarista prosseguiu dizendo que o candidato “gaguejou bastante” e não estava em seu “modo normal”.
Foi nesse contexto que Camarotti fez sua avaliação mais dura. “Na era da pós-verdade, as pessoas ficam mais tensas quando querem passar uma verdade que não existe. Ele tentou isso claramente”, afirmou. O jornalista citou como exemplo a resposta de Flávio Bolsonaro sobre as mudanças climáticas durante a sabatina.
Questionado por Renata Vasconcellos se reconhecia o aquecimento global, Flávio Bolsonaro evitou uma resposta direta e disse acreditar em eventos climáticos extremos associados a períodos “cíclicos”. O candidato afirmou que há épocas em que “faz mais calor” e outras em que “faz mais frio” e disse não considerar que os fenômenos tenham relação “diretamente só com a influência do ser humano”. Camarotti classificou a resposta como “negacionismo climático” e afirmou que ela é “absolutamente contra a ciência”. Natuza completou: “Um negacionista”.
Camarotti: “Flávio estava muito nervoso, tenso, gaguejou bastante. Na era da pós-verdade, as pessoas ficam mais tensas quando querem passar uma verdade que não existe. Ele tentou isso claramente: passar um ar de veracidade naquilo que não é.”
Natuza: “É um negacionista.” -… pic.twitter.com/odAkoVcBmk
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) August 29, 2026
O consenso científico contradiz a explicação baseada apenas em ciclos naturais. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que a influência humana aqueceu de forma inequívoca a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre. O órgão também aponta que as mudanças provocadas pela ação humana já afetam extremos como ondas de calor, chuvas intensas e secas em diferentes regiões do planeta.
Durante a própria sabatina, Flávio Bolsonaro respondeu a uma pergunta sobre proteção contra os efeitos das mudanças climáticas colocando o saneamento básico como principal política ambiental. Ele não apresentou, naquele trecho, propostas específicas para redução das emissões de gases de efeito estufa. O discurso se insere em uma tradição de relativização da ciência climática dentro da extrema direita, e que se tornou estratégia da campanha de Flávio.
Para Camarotti, a tensão observada na entrevista estava ligada justamente à tentativa de sustentar versões contestáveis diante dos entrevistadores. A avaliação veio na sequência de outra análise na GloboNews em que Natuza disse que Flávio Bolsonaro “mentiu bastante” durante a sabatina e Malu Gaspar falou em “mentiras em série”.