
Flávio Bolsonaro (PL) fez pelo menos 32 referências a Lula, ao PT ou ao atual governo durante os cerca de 40 minutos de sua sabatina na TV Globo nesta sexta-feira (28), segundo levantamento do DCM.
O nome “Lula” foi citado 17 vezes. Em outras dez ocasiões, Flávio Bolsonaro usou especificamente a expressão “atual governo”, elevando a contagem para 27. A transcrição registra ainda duas menções ao PT e pelo menos três referências adicionais a “esse governo”. Na noite anterior, durante sua própria sabatina, Lula não pronunciou os nomes de Jair Bolsonaro nem de Flávio Bolsonaro e usou a expressão “outro governo” ao se referir à administração anterior.
As referências a Lula e ao governo também apareceram em momentos nos quais Flávio Bolsonaro evitou responder diretamente a questionamentos de César Tralli e Renata Vasconcellos. Foram identificadps pelo menos cinco episódios em que o candidato se esquivou das perguntas apresentadas pelos jornalistas.
Dois deles ocorreram no bloco sobre Daniel Vorcaro e “Dark Horse”. Questionado sobre sua proximidade com o ex-controlador do Banco Master e sobre os recursos captados para o filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro passou a comparar a relação com negócios mantidos por Vorcaro com outras pessoas e empresas.
Quando Renata Vasconcellos cobrou a apresentação do contrato, das planilhas e explicações sobre o destino dos mais de R$ 60 milhões efetivamente repassados à produção, Flávio Bolsonaro afirmou que o assunto estava esclarecido e voltou a direcionar a resposta para Lula e integrantes do governo.

A terceira esquiva ocorreu quando Renata perguntou se era adequado um senador visitar Vorcaro após a prisão do banqueiro. Flávio Bolsonaro não respondeu diretamente e disse que inadequado seria “um presidente da República” receber um banqueiro, voltando a atacar Lula. A resposta seguiu a estratégia definida pela campanha: tratar rapidamente temas sensíveis e deslocar o discurso para o petista.
A quarta veio quando Tralli citou os depoimentos dos ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica sobre a trama golpista e perguntou se eram graves. Flávio Bolsonaro disse que não, atacou o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior e mudou o assunto para anistia e Constituição.
A quinta ocorreu no bloco sobre mudanças climáticas. Questionado sobre medidas para enfrentar eventos extremos, Flávio Bolsonaro citou saneamento básico, mas logo passou a falar do SUS e anunciou Cláudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde.
A estratégia também chamou a atenção na GloboNews. Natuza Nery disse que Flávio Bolsonaro “enrolou demais” e “mentiu bastante”, enquanto Malu Gaspar falou em “várias mentiras em série”. Em cerca de 40 minutos, o candidato mencionou Lula ao menos 17 vezes e fez mais de 30 referências ao petista, ao PT ou ao atual governo, além de se esquivar de pelo menos cinco cobranças dos entrevistadores.