
O percussionista e compositor cubano Degnis Nelson Bofill Miranda, vencedor do Grammy Latino, continua sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) depois que agentes o detiveram no Aeroporto Internacional de Miami, em 19 de agosto.
Morador de Miami, Bofill retornava de Nova York, onde participou da Latin Alternative Music Conference e tocou no Pocket Jazz Club, em Manhattan. Os agentes o detiveram logo após o desembarque.
Quem é Degnis Bofill
Nascido em 1987 em Manzanillo, em Cuba, o músico construiu no país sua formação artística e o início de sua trajetória profissional. Ainda na infância, ele começou a estudar música formalmente.
Nos primeiros anos de aprendizado, Bofill dividiu a formação entre a percussão sinfônica e a percussão popular e folclórica cubana. Essa combinação orientou seu trabalho como instrumentista e compositor.
Os tambores batá, instrumentos sagrados presentes nos rituais da santería, religião afro-cubana, concentram a pesquisa musical de Bofill. Ele passou a aproximar essa tradição da improvisação do jazz contemporâneo.

O músico venceu o Grammy Latino de 2022 na categoria de Melhor Álbum de Música Folk por sua participação em “Ancestros Sinfónico”. No disco, gravou tambores batá e coros em uma obra que une referências afro-cubanas a arranjos sinfônicos.
Ouça uma música do disco:
Bofill também fundou e lidera o grupo Golpes Libres, dedicado à fusão entre música afro-cubana de raiz e jazz. Ao longo da carreira, excursionou e se apresentou com nomes como Arturo O’Farrill, Dave Weckl, Roberto Fonseca e a banda Blondie.
Em janeiro de 2025, ele se tornou membro oficial e votante da Academia Latina da Gravação. A entidade organiza anualmente o Grammy Latino, premiação que reconheceu seu trabalho em “Ancestros Sinfónico”.