
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) fechou um contrato de US$ 16,7 milhões, cerca de R$ 86 milhões, para comprar 6 mil pares de luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos. A agência Reuters confirmou a aquisição nesta quinta-feira (27).
O governo americano registrou o contrato em seu banco de dados e contratou sem licitação a Compliant Technologies LLC, empresa sediada no Kentucky. A compra envolve o equipamento chamado G.L.O.V.E., sigla em inglês para Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada.
Semanas antes, o ICE havia anunciado a intenção de gastar até US$ 20 milhões, o equivalente a R$ 103 milhões, com milhares desses dispositivos. Grupos de defesa dos direitos civis criticaram a proposta.
A fabricante afirma que as G.L.O.V.E. funcionam como luvas comuns de patrulhamento até que o agente pressione um botão para acionar o modo elétrico. O equipamento precisa tocar diretamente a pele para produzir o estímulo doloroso.

Fabricante prevê restrições para o uso das luvas elétricas
A Compliant Technologies diz que o contato elétrico costuma levar a pessoa a obedecer às ordens em poucos segundos. A companhia afirma que prisões e departamentos de polícia dos Estados Unidos já utilizam os dispositivos.
Segundo a empresa, agentes empregaram as luvas em ocorrências com suspeitos violentos que se recusavam a entrar em viaturas e com detentos que se feriam ou ameaçavam funcionários. Essas situações constam entre os exemplos usados pela fabricante para defender o equipamento.
John Peters, presidente do Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, comparou a sensação provocada pelas luvas a uma picada de abelha, em entrevista à Associated Press no início do mês. “É imediato e agudo, e vai distrair você. Eu comparo a uma picada de abelha”, disse.
A fabricante orienta que as luvas não sejam usadas como punição nem contra pessoas que apresentem apenas desobediência verbal ou comportamento hostil. A empresa também desaconselha o uso contra crianças, mulheres grávidas, idosos e pessoas com deficiência.