Janja responde a Renan Santos: objetivo é ‘expor, debochar e intimidar uma mulher’

Em nota oficial, a primeira-dama Janja Lula da Silva reagiu aos ataques misóginos feitos pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, no domingo, 23. Janja pediu direito de resposta, que foi lido pela emissora, e repudiou a tentativa do candidato de transformar uma agressão pessoal contra uma mulher em instrumento de disputa política para atingir o presidente Lula.

Janja defendeu que o debate político seja espaço para apresentação de propostas e confronto de ideias, e não para “expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é”.

“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de ‘pena’ está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político. Episódios como esse não são um caso isolado. Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo.”

O episódio expõe uma prática recorrente da extrema direita brasileira: negar o caráter de ódio às mulheres (misoginia) nos ataques e tentar apresentá-los como simples exercício da liberdade de expressão.

Em sua resposta aos comentários feitos pelo candidato à Presidência, Janja ressaltou que não era candidata, não estava presente no debate e sequer tinha relação com o tema em discussão.

A primeira-dama também destacou que a reação imediata a esse tipo de comportamento é necessária justamente para impedir que a violência contra as mulheres seja naturalizada.

“Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas”, afirmou.

Ataque à mulher não é liberdade de expressão

A estratégia de negar a misoginia enquanto se reproduzem ataques direcionados especificamente a uma mulher por sua condição de mulher não é nova na extrema direita brasileira.

Ao tentar apresentar ofensas, humilhações e desqualificações como liberdade de expressão, esse discurso contribui para mascarar a violência política de gênero e dificultar seu enfrentamento.

A liberdade de expressão não transforma agressões misóginas em crítica política — especialmente quando a mulher atacada sequer participa da disputa eleitoral.

O Projeto de Lei (PL) 896/2023, que criminaliza a misoginia, tramita na Câmara dos Deputados depois de ter sido aprovado pelo Senado. A proposta estabelece a misoginia como crime e prevê punição para manifestações de ódio ou aversão às mulheres.

Na votação no Senado, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, integrante de uma família que frequentemente protagoniza embates políticos marcados por ataques às mulheres, acabou votando a favor do texto no calor da disputa eleitoral. Foi criticado nas redes por aliados.

A aprovação da proposta reforça a necessidade de reconhecer que a misoginia não deve ser naturalizada nem protegida sob o argumento genérico da liberdade de expressão. O texto, no entanto, não avança na Câmara.

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