O Irã rejeitou nesta terça-feira (25) a nova agressão econômica dos Estados Unidos e afirmou que está preparado para responder caso Washington volte a atacar sua infraestrutura.
O governo iraniano aposta na resistência de seus principais parceiros comerciais para impedir que as sanções isolem o país.
“As forças inimigas devem esperar por um ataque”, declarou o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, à televisão estatal. Segundo ele, China e Rússia não aceitaram as medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump, e outros países também deverão resistir à pressão norte-americana.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hossein Mohebbi, afirmou que uma nova agressão contra o território iraniano provocará ataques contra interesses dos Estados Unidos e pontos estratégicos do setor energético na região.
As declarações foram uma resposta ao anúncio do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que exigiu que outros países interrompam suas relações econômicas com Teerã.
Washington advertiu que empresas e instituições financeiras que mantiverem esses negócios poderão perder o acesso ao sistema baseado no dólar.
A China, principal compradora do petróleo iraniano, declarou que sua cooperação com o Irã está de acordo com o direito internacional e não deve sofrer interferências. Pequim não reconhece as sanções impostas unilateralmente pelos Estados Unidos.
Apesar dos danos provocados pela guerra e pelo bloqueio naval norte-americano, o Irã mantém capacidade de atingir bases dos Estados Unidos e interromper o transporte de petróleo pelo Golfo.
O país também controla a margem norte do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de energia.
O trânsito de petróleo pela passagem estava em cerca de 5 milhões de barris por dia nesta segunda-feira (24), segundo dados preliminares da empresa de monitoramento marítimo Vortexa.
Antes da guerra, o volume superava 20 milhões de barris diários, o equivalente a aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.
Nesta terça, um petroleiro foi atingido por um projétil de origem ainda desconhecida e ficou imobilizado a cerca de 17 quilômetros de Ash Shishah, em Omã, na entrada do estreito. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou o incidente, mas não atribuiu responsabilidade pelo ataque.
Enquanto prepara uma possível resposta, o Irã mantém abertas as negociações indiretas com os Estados Unidos. O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, esteve em Teerã nesta segunda e entregou uma mensagem de Washington ao governo iraniano.
Abbas Golroo, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, afirmou que a iniciativa demonstra que os Estados Unidos pretendem retomar o processo político interrompido.
Segundo uma fonte do governo paquistanês, Washington admitiu suspender parte das novas sanções antes ou durante uma eventual rodada de negociações.
O Exército paquistanês informou que a visita produziu “avanços significativos” nas discussões para evitar uma nova escalada e restabelecer a navegação pelo Estreito de Ormuz.
O governo iraniano também classificou as conversas como produtivas e anunciou que seus resultados serão divulgados nos próximos dias.