Um Minuto pela Vida das Mulheres: Luna Zarattini relata violência política de gênero

“Eu, como todas as mulheres na política, já sofri diversas violências. No meu caso, eu estava em uma votação em que tinha uma divergência em relação a um colega e fiz um voto diferente do dele. E ele, por não aceitar minha opinião, falou que eu era uma jovem menina que tinha muito a construir. Tentou me diminuir, tentou me calar.”

O relato é da vereadora Luna Zarattini (PT-SP) e integra o quinto vídeo da campanha Um Minuto pela Vida das Mulheres. O que a parlamentar denuncia é violência política de gênero  e acontece quando mulheres são atacadas, deslegitimadas, constrangidas ou silenciadas por exercerem seus direitos políticos e ocuparem espaços de poder e decisão.

O episódio relatado aconteceu durante uma votação na Câmara Municipal de São Paulo. Para Luna, a fala não foi apenas uma discordância política, mas uma tentativa de diminuir sua autoridade e sua posição por ser mulher e jovem. “E é assim que as violências começam: tentando diminuir as mulheres por serem mulheres”, afirma.

Para Luna, o enfrentamento precisa ultrapassar as experiências individuais e se transformar em compromisso coletivo. “Por isso a nossa luta tem que ser junto à sociedade, junto aos parlamentos e junto às entidades”, afirma. A vereadora também declara seu apoio ao  Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

Não seremos silenciadas

A experiência de Luna Zarattini se soma a outros relatos apresentados pela campanha. O primeiro vídeo foi protagonizado pela deputada federal Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados. Na sequência, a ex-ministra da Saúde e ex-presidente da Fiocruz Nísia Trindade falou sobre situações de desvalorização que enfrentou ao longo de sua trajetória como pesquisadora e gestora.

O terceiro depoimento foi de Camila Moreno, secretária nacional adjunta de Comunicação do PT, que relatou perseguição após o agressor não aceitar suas opiniões políticas. No quarto vídeo, a secretária nacional de Nucleação do PT, Claudinha Lima, compartilhou uma experiência de violência durante as eleições de 2024 e falou sobre o impacto de não ser ouvida e ter sua palavra deslegitimada.

Em comum, os relatos mostram que o silenciamento pode assumir diferentes formas e estar presente em diversos espaços da vida das mulheres. A campanha existe justamente para valorizar essas vozes e mostrar as diferentes maneiras pelas quais as mulheres sofrem violência. Dar visibilidade a experiências pessoais é uma forma de sensibilizar a sociedade para uma violência que muitas vezes é naturalizada.

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