
A empresa americana USA Rare Earth levantou US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões) para concluir a compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação comercial no Brasil. A companhia espera fechar o negócio ainda nesta semana e assumir o controle da mina de Pela Ema, em Goiás.
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos aportou US$ 750 milhões na operação. O valor supera em US$ 250 milhões o financiamento inicialmente previsto para a aquisição.
O presidente executivo da USA Rare Earth, Michael Blitzer, afirmou que o apoio americano fortalece a cadeia de fornecimento do setor. “Agradecemos o apoio estratégico e o compromisso ampliado de financiamento do governo dos Estados Unidos e temos orgulho de dar continuidade à nossa sólida parceria para construir uma cadeia de suprimento de terras raras segura e resiliente”, disse em comunicado.
Blitzer declarou que a Serra Verde já recebeu mais de US$ 1 bilhão em investimentos e classificou o empreendimento como um dos projetos mais avançados do mundo. “A Serra Verde agora pode começar a fornecer esses materiais críticos ao mercado americano”, afirmou.

Contrato prevê compra de produção por cinco anos
O governo dos EUA também firmou um contrato de compra futura de ao menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras da Serra Verde. O acordo prevê aquisições ao longo de cinco anos.
Os acionistas da USA Rare Earth têm uma assembleia especial marcada para esta sexta (28) para tratar da transação. Depois do fechamento, a companhia norte-americana controlará a mina de Pela Ema, que produz os quatro elementos de terras raras magnéticas.
Esses elementos são usados na fabricação de ímãs permanentes destinados, entre outras aplicações, a veículos elétricos, equipamentos de energia renovável e sistemas de defesa. As terras raras reúnem 17 elementos químicos cuja extração e refino exigem processos complexos.
A China concentra mais da metade da extração mundial desses materiais e quase toda a capacidade de refino. Empresas e autoridades dos Estados Unidos buscam reduzir a dependência chinesa com investimentos em fornecedores alternativos.
A presença de capital estrangeiro na Serra Verde ampliou o debate sobre soberania e minerais críticos no Brasil. A Câmara aprovou em maio um projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e terras raras, com discussão sobre filtros e travas a investimentos externos; o texto ainda aguarda análise do Senado.