
O primeiro debate entre candidatos à Presidência, realizado pela TV Band na noite de domingo (24), foi marcado por ausências de peso e um tom de ataques diretos contra os faltosos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) não compareceram ao encontro, que contou apenas com os presidenciáveis Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Lula concedeu entrevista à TV Record no mesmo horário, enquanto Flávio divulgou um vídeo nas redes sociais, e Zema também se ausentou sem justificativa.
Renan Santos iniciou o debate com críticas diretas a Lula, chamando-o de “canalha” e “tranqueira”, e direcionou ataques aos púlpitos vazios. “Sou um brasileiro indignado que nos últimos 12 anos enfrentou a roubalheira desse canalha do Lula”, afirmou. “Esses dois criminosos não têm coragem de falar sobre crimes que cometeram”, disse, referindo-se também a Flávio.
O candidato do Missão criticou ainda o eleitorado petista, afirmando que parte dele está no Bolsa Família “porque ainda acredita que Lula é a única fonte de comida”, e chamou os demais eleitores de Lula de “canalhas”.
🚨URGENTE – Renan Santos vai para cima de Lula e fica na frente do púlpito de Flávio Bolsonaro
“Esse canalha do Lula não teve coragem de vir aqui” pic.twitter.com/VwzJJdRL39
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) August 23, 2026
Caiado e Cury também criticaram as ausências, mas com tom menos agressivo. O ex-governador de Goiás afirmou que Lula e Flávio são “os mais rejeitados” e que deveriam estar no debate para responder sobre escândalos. “Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”, disse Cury, que também criticou a entrevista de Lula na Record, classificando-a como “gota d’água” para sua ameaça de desistência, que acabou recuando.
O tema da segurança pública gerou os principais embates. Renan defendeu um “banho de sangue” contra facções e uma “intervenção em estados governados pelo petismo”, enquanto Cury criticou a agressividade do candidato do Missão e chamou Caiado para ser “o xerife” de seu governo. Caiado, por sua vez, rebateu Cury, dizendo que iria “ensinar” como tratar do assunto.
Os candidatos também abordaram corrupção, citando os casos do INSS e do Banco Master. Caiado ironizou: “O primeiro candidato tem o ‘Dark Horse’, e o Lula tem o ‘Dark Lobby’, em que o Lulinha é o artista”.
Renan acusou Lula de “farra com o dinheiro do INSS” e Flávio de “rachadinha”. Cury, embora crítico, repreendeu Renan pelo tom das ofensas: “Você pode criticar as ideias de Lula, mas não pode criticar a pessoa transformando ela numa escória humana”.
O debate também trouxe propostas sobre economia, escala de trabalho e igualdade salarial, com Cury defendendo o fim da escala 6×1 e criticando a disparidade salarial entre gêneros. As ausências, no entanto, dominaram a narrativa, e os candidatos presentes usaram o espaço para tentar se apresentar como alternativas viáveis à polarização.