
A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, investiga um ranking sexual que expôs 53 alunas do curso de psicologia da Unoeste. A lista associava fotos das estudantes a classificações sexuais e depreciativas. Com informações de noticias.uol.com.br.
Os responsáveis organizaram o conteúdo no formato de uma “tier list”, modelo que distribui pessoas ou itens em diferentes categorias. Entre as expressões usadas para classificar as mulheres estavam “deliciosíssima” e “comível”. As imagens das vítimas saíram de seus perfis nas redes sociais.
A lista circulou inicialmente em um grupo privado chamado “não psicólogos” e depois chegou às redes sociais. Capturas de tela das conversas revelaram outros comentários ofensivos, entre eles: “Tirei as lésbicas e as gordas”.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a polícia identificou seis vítimas e investiga cinco suspeitos. A apuração busca esclarecer quem criou a lista e quem participou de seu compartilhamento.

Unoeste apura o caso e estudantes fazem protesto
A Unoeste afirmou que tomou conhecimento da denúncia na sexta-feira (21) e abriu uma investigação interna. “Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais. Paralelamente, a universidade está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade”, declarou a instituição.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e a candidata a deputada estadual Carolina Simon (PSOL) protocolaram neste sábado (22) um ofício à reitoria da universidade para cobrar providências. Simon afirmou que “instituições de ensino precisam ser espaços seguros, comprometidos com a ética e com o enfrentamento à misoginia e à violência”.
O vazamento provocou um protesto na quinta-feira (20) diante do Campus II da Unoeste, na Rodovia Raposo Tavares. Estudantes e ativistas participaram do ato com cartazes e palavras de ordem contra a violência dirigida às alunas.
A Frente pela Vida das Mulheres, coletivo que participou da manifestação, classificou o episódio como “misoginia organizada”. “A criação de um ranking sexual para classificar mulheres reproduz diretamente a lógica red pill do chamado Valor Sexual de Mercado: mulheres tratadas como mercadorias, avaliadas por sua aparência, comportamento e suposta disponibilidade sexual”, afirmou o grupo.