O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Donald Trump reconheceu os argumentos usados pelo brasileiro contra as tarifas aplicadas ao País, durante telefonema entre os dois nesta sexta-feira (21). Pouco depois da conversa, o representante comercial estadunidense, Jamieson Greer, entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), para retomar as negociações entre os dois países.
A fala de Lula ocorreu durante comício em Belo Horizonte (MG) nesta sexta (21). Ele relatou ter dito a Trump que “a taxação que vocês fizeram ao Brasil não só é irreal como foi feita com base na mentira. Você disse que tinha desmatamento no Brasil e no Brasil nós temos o menor desmatamento da história. E você disse que tinha trabalho escravo e nós combatemos o trabalho escravo. Então é inverdade”.
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Segundo Lula, Trump “reconheceu e hoje ele já pediu ao secretário do Comércio para ligar para o nosso e já marcaram uma reunião”.
De acordo com o Mdic, já está acertada reunião, ainda com data a ser definida, entre o ministro da pasta, Márcio Elias Rosa, representantes do Ministério das Relações Exteriores e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Conforme divulgação feita pelo governo federal após o telefonema, ao tratar das novas tarifas impostas ao Brasil, Lula já havia enfatizado que as alegações usadas eram infundadas.
Lula ainda rechaçou as acusações sobre desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado.
Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro confirmou o interesse na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, mas salientou que o Brasil tem instrumentos próprios e soberanos para isso e que tem tomado medidas severas neste sentido.
Lula também destacou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países. Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.
Em nota conjunta, o Mdic e o MRE consideram que a sinalização dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial.