O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, nesta sexta-feira (21), seu primeiro ato de campanha em Minas Gerais. O comício lotou a Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte. Historicamente, o estado é visto como central para garantir a eleição presidencial.
O ato contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da chapa majoritária que disputa as eleições em Minas — Patrus Ananias (PT), candidato ao governo; e Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSol), candidatas às duas vagas no Senado —, além de candidatos a deputado e lideranças políticas e sociais.
Em sua fala, Lula enfatizou temas como a defesa da soberania — especialmente no que diz respeito à relação com os EUA e à exploração de terras raras e minerais críticos —, o diálogo e cooperação internacional e a importância da educação na qualificação dos jovens brasileiros para ocupar postos alinhados com os desafios tecnológicos da atualidade e do futuro.
Ao abordar a conversa com o presidente do Estados Unidos, Donald Trump — ocorrida nesta sexta-feira (21) via telefone, por iniciativa do presidente brasileiro —, Lula reafirmou seu questionamento à taxação de produtos e defendeu uma relação baseada no diálogo, respeito e cooperação, inclusive no combate ao crime organizado, o que o Brasil já vem implementando com uma série de operações e iniciativas. “O que nós não queremos é interferência no Brasil”, enfatizou Lula no evento.
Saiba mais: Lula defende soberania nacional e garante recursos para submarino nuclear
Citando as reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, disse que pretende negociar com China, EUA e países europeus tendo como prioridade a industrialização nacional. “Nós queremos trabalhar junto. Repartir com o mundo os nossos minerais, mas eles têm que ser transformados no Brasil e o valor agregado tem que ficar dentro do Brasil, para gerar emprego de qualidade para o nosso povo”.
Ainda sobre questões internacionais, relatou ter conversado recentemente com os presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, além do próprio Trump — todos integrantes do Conselho de Segurança da ONU — e cobrado deles uma reunião para tentar encerrar os principais conflitos no cenário internacional.
Educação e desenvolvimento

Durante o comício, Lula também defendeu o desenvolvimento brasileiro passa pela formação de jovens, pela inteligência artificial, pelos data centers, pela agregação de valor aos minerais estratégicos e pela capacidade de o país controlar seus próprios dados e tecnologias.
“Eu quero que vocês sejam engenheiros, matemáticos, que estudem tudo no mundo digital, porque o Brasil não vai ficar dependendo nem da China, nem dos Estados Unidos para fazer a sua inteligência artificial”, afirmou.
Segundo Lula, o país precisa avançar para uma nova etapa depois da reconstrução de políticas sociais e econômicas. “Nós, agora, vamos entrar numa nova fase. O básico já está construído. Agora temos que dar um salto de qualidade”, disse. Para ele, esse salto começa pela educação, com expansão das universidades, dos cursos de formação e das escolas de tempo integral.
A estratégia também engloba os data centers e o domínio sobre as informações produzidas no País. Lula citou o Redata, programa enviado ao Congresso, e defendeu que a infraestrutura digital seja tratada como parte da soberania nacional. “Nós não queremos deixar os dados do povo brasileiro na mão dos americanos, dos chineses ou dos russos. Têm que ser nossos dados para a gente poder criar a nossa inteligência artificial”, declarou.
Com agências