Diap prevê baixa renovação da Câmara e aponta peso das emendas

A Câmara dos Deputados pode mudar pouco de fisionomia depois das eleições de outubro. Dos 513 parlamentares em exercício, 438 (85,4%) registraram candidatura à reeleição, segundo análise divulgada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O número ficou apenas oito abaixo do registrado em 2022, quando 446 deputados buscaram renovar o mandato.

Para o Diap, o volume de candidaturas é um dos principais sinais de que a renovação da Câmara deve ficar abaixo da média histórica de 49% observada desde 1990. Isso porque o índice de sucesso dos deputados que tentam permanecer no cargo costuma superar 65%. Com base no histórico de recandidaturas e reeleições, o departamento projeta uma renovação entre 14,61% e 44,44% em 2026.
O cenário também é influenciado pelas condições de quem já exerce o mandato, entre elas o acesso a recursos públicos por meio das emendas parlamentares.

Emendas reforçam vantagem de quem já tem mandato

O Diap aponta as emendas parlamentares individuais como o primeiro dos fatores que ampliaram, neste ano, as chances dos deputados que buscam a reeleição. O valor anual previsto para essa modalidade supera R$ 26,6 bilhões em 2026.

As emendas permitem aos parlamentares indicar a destinação de parte dos recursos do Orçamento federal. Para quem já exerce mandato, são também uma ferramenta de atuação junto às bases eleitorais, ao viabilizar recursos para municípios e ações em diferentes áreas. O próprio Diap considera os recursos das emendas um diferencial importante na disputa pela renovação do mandato, especialmente para parlamentares da base de apoio ao governo.

Não é, porém, a única vantagem. O departamento cita ainda a cota para o exercício da atividade parlamentar, que varia entre R$ 30 mil e R$ 44.320,46 por mês; a verba mensal de R$ 111.675,59 para a contratação de cinco a 25 secretários parlamentares; a prioridade na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral; e o poder político, o prestígio institucional e o maior acesso aos meios de comunicação proporcionados pelo mandato.

A força da reeleição

Dos 513 parlamentares, apenas 14 não concorrem a nenhuma eleição neste ano. Outros 42 decidiram disputar o Senado, oito concorrem às assembleias legislativas, cinco tentam o governo estadual e outros aparecem em chapas para vice-presidente, vice-governador ou suplência do Senado.

O índice de recandidatura de 2026, de 85,38%, é próximo ao de 2022, quando chegou a 86,93%. Em 1998, ano em que 443 deputados tentaram a reeleição, o percentual foi de 86,35%. Naquele pleito, 65,01% dos candidatos conseguiram renovar o mandato e a renovação da Casa ficou em 43,86%.

Em 2010 e 2014, o índice de sucesso dos candidatos à reeleição passou de 70%. Em 2022, ficou em 65,61%. É justamente essa elevada capacidade de permanência que faz o número de recandidaturas funcionar como um indicador relevante para a renovação da Câmara.

Em seu prognóstico, o Diap afirma que os candidatos à reeleição só deixariam de retornar à Câmara caso seus partidos ou federações não alcançassem pelo menos 80% do quociente eleitoral, condição mínima para disputar uma vaga na Casa.

Reeleição domina o mapa eleitoral

A concentração de recandidaturas também aparece na distribuição por estados. Paraíba e Rio Grande do Norte têm 100% dos deputados buscando um novo mandato. Na Bahia, são 94,87%; em São Paulo, 91,43%; e no Piauí, 90%. Minas Gerais, segunda maior bancada da Câmara, registra 88,68% de candidaturas à reeleição.

Na outra ponta está Tocantins, onde apenas 37,5% dos deputados disputam a permanência. Espírito Santo registra 70%; Pernambuco, 72%; e Acre, Distrito Federal, Rondônia e Roraima, 75% cada.

No conjunto, porém, a fotografia é de uma Câmara com forte tendência à continuidade. Mais de oito em cada dez deputados disputam a permanência na Câmara e entram na eleição com as condições acumuladas durante o exercício do mandato.

A disputa ainda pode alterar esse cenário. O próprio Diap observa que o número de candidaturas pode sofrer mudanças até outubro, inclusive porque 14 dos atuais deputados exercem o mandato como suplentes.

Mas, mantido o quadro atual, a eleição de 2026 começa com uma tendência clara: a Câmara escolhida pelo eleitorado pode ser muito parecida com a atual, em um cenário no qual a maioria dos parlamentares já parte para a disputa pela permanência no cargo.

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