
O PCC, que lavava (será que deixou de lavar?) dinheiro na Faria Lima, tinha proteção da Polícia Militar de Tarcísio de Freitas. Até a realização da Operação Carbono Oculto, eram muitas as suspeitas de envolvimento da PM com os chefes do crime organizado. Agora, há provas.
Tanto que o governo já trocou o comando da Polícia, afastando o coronel José Augusto Coutinho e promovendo a coronel Glauce Anselmo Cavalli. Coutinho sai porque sabia como funcionava o esquema.
Membros da Rota, a elite da PM paulista, vazavam informações policiais estratégicas para a cúpula do PCC. Recebiam pagamento pelo serviço, conforme investigações do promotor Lincoln Gakiya, especializado em crime organizado.
O promotor conta, como exemplo, que uma reunião fechada, com a presença de um agora um delator, foi gravada por policiais militares. A gravação foi vendida a líderes do PCC por R$ 5 milhões. Há outros casos.
O Estadão aborda o assunto em editorial nessa sexta-feira, com o título “Há algo de podre na Polícia Militar”. Foi o jornal que deu a notícia em primeira mão.
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E é também agora o Estadão que volta a esconder o nome de Tarcísio de Freitas, como se ele não fosse o chefe da polícia. Há no editorial apenas um elogio ao extremista moderado por ter providenciado a troca de comando na PM.
É como se o governador não mandasse na sua polícia antes da troca. Agora imaginem se situação semelhante tivesse acontecido na Polícia Federal. As manchetes chamariam a PF de “a polícia de Lula”.
A PM de Tarcísio é a que mais mata no Brasil e começa a brigar também pelo posto de polícia mais corrupta do país. Gakiya ouviu criminosos que delataram parceiros que tinham na polícia e ficou sabendo que o comandante afastado tinha conhecimento da associação de gente da sua tropa de elite com o PCC.
E Tarcísio, sabia o quê? O comandante que sabia da corrupção nunca informou seu governador do que acontecia na PM? Tarcísio nunca sabe de nada?
O próprio Estadão informa que, conforme apuração da Corregedoria da PM, existe uma facção dentro da corporação que atua como intermediária entre a área de inteligência da OPM e chefes do crime organizado.
Os policiais recebiam para garantir proteção a membros do PCC, para executar desafetos e levar ao grupo informações privilegiadas sobre as ações da polícia.
E o envolvimento do PCC com a Faria Lima? Esse é um caso esquecido pela grande imprensa, que não mexe com gente do dinheiro. As fintechs que lavavam dinheiro para a facção estão sob investigação da Polícia Federal desde agosto. É como se o caso tivesse morrido para os jornalões.