1º de Maio: PM de Tarcísio veta sindicatos na Paulista para privilegiar atos bolsonaristas

A Polícia Militar anunciou que poderá usar o Choque em resposta a atos do 1º de Maio na Paulista
Foto: Anderson Gores/FramePhoto/Folhapress

A Polícia Militar de São Paulo vetou a realização de um ato da CSP-Conlutas e de outras entidades de trabalhadores na Avenida Paulista no 1º de Maio e manteve a autorização para três grupos bolsonaristas ocuparem a via na mesma data. A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e reproduzida em seguida por outros veículos.

Segundo a ata da reunião mencionada pela corporação, os grupos Patriotas do QG, A Voz da Nação e Marcha da Liberdade pediram autorização antes. A PM afirmou ter seguido a regra para esses casos e justificou a decisão pelo fato de 2026 ser ano eleitoral e pela “possibilidade de tensão entre os movimentos”.

O documento ainda prevê que, se a CSP-Conlutas descumprir o veto, o Batalhão de Choque poderá ser acionado para desobstruir a Paulista. A reação da central veio em tom de denúncia: o dirigente Luiz Carlos Prates, o Mancha, classificou a medida como “absurdo” e disse que a decisão foi arbitrária num dia historicamente ligado às mobilizações dos trabalhadores.

Entre os grupos autorizados, a própria reportagem informa que todos são de pequeno porte. O único com página identificada nas redes é o Patriotas do QG, com menos de 4 mil seguidores, e a convocação localiza o ato às 11h em frente ao prédio da Fiesp.

A pauta anunciada por esse grupo inclui apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, críticas ao STF e pedido de liberdade para Jair Bolsonaro. Até a publicação da reportagem, a Secretaria de Segurança Pública paulista não havia apresentado resposta pública sobre o caso.

Lula acena ao público em ato realizado em São Paulo no 1º de Maio.
O presidente Lula em ato do 1º de Maio de 2022. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na prática, a decisão desloca do 1º de Maio, data associada às reivindicações trabalhistas, o protagonismo de entidades sindicais e abre um espaço politicamente nobre da capital para manifestações alinhadas ao bolsonarismo. O efeito imediato é transformar uma data tradicional da agenda do trabalho em vitrine para grupos de direita que defendem Flávio Bolsonaro e a pauta de anistia ao ex-presidente.

A reação inicial partiu das entidades impedidas de realizar o ato, que criticaram a medida adotada pela Polícia Militar. Sem manifestação pública da Secretaria da Segurança Pública até o momento, o episódio amplia o debate sobre os critérios usados para autorizar manifestações na Avenida Paulista em ano eleitoral, sobretudo diante da liberação de grupos bolsonaristas para o mesmo dia e local. O caso também tende a repercutir no feriado de 1º de Maio e a ser incorporado à disputa política em torno do uso de um dos espaços públicos mais simbólicos da capital paulista.

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